O Primeiro-Ministro são-tomense disse que as obras de reconstrução da marginal de São Tomé estão em fase bastante avançada e não serão sujeitas a grandes alterações, apesar das reclamações. Américo Ramos falava à imprensa no final de uma visita às obras que contam com financiamento do Governo dos Países Baixos e do Banco Europeu de Investimento.

“O objectivo foi constatar ‘in loco’ algumas preocupações em relação ao andamento desta obra, que já se encontra numa fase bastante avançada. Como sabem, nestes últimos doze meses, a obra acelerou-se bastante. O nível de execução está elevado e, prevendo o término da obra já no final do ano, seria bom fazer uma revisão e também perceber algumas reclamações que têm vindo da população”, disse Américo Ramos.

O chefe do Governo sublinhou que “esta obra foi concebida há algum tempo e o objectivo era diminuir a circulação de transportes e aumentar a ciclovia, dando prioridade à ciclovia e aos passeios”, o que motivou a diminuição da largura da faixa de rodagem.

Neste sentido, o Primeiro-Ministro disse que, face ao avançar da obra, não será possível realizar grandes alterações, e as que forem necessárias deverão ser sempre comunicadas aos financiadores.

No entanto, Américo Ramos disse que o Governo suspendeu a construção de um estaleiro à frente de uma capela histórica da capital do país, e decidirá sobre como aproveitar a obra já iniciada em acordo com os financiadores.

Grande parte das críticas ao projecto relacionam-se com a dimensão da faixa de rodagem, as rotundas e os muros de vedação.

Américo Ramos disse que “grandes alterações não podem ser feitas” e assegurou que a empresa construtora tem feito “a adequação e compatibilização de algumas situações”, conforme as observações feitas pelo Governo.

Américo Ramos acrescentou que o Governo irá tratar de conceder uma indemnização aos pescadores, uma decisão que considerou de grande urgência.

A primeira pedra para a requalificação e protecção costeira da marginal 12 de Julho, em São Tomé, foi lançada em 12 de Março de 2024, pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada (2022-2025), mas as obras só começaram meses depois envolvendo apenas dois lotes, que vão da zona perto do Hospital até ao cruzamento de São Marçal, perto da Assembleia Nacional.

O projecto da marginal foi concebido em 2017, com um custo inicial estimado de 25 milhões de euros, garantidos através do co-financiamento por parte do Governo holandês (50%) e 50% em crédito do Banco Europeu de Investimento, mas o custo elevou-se para cerca de 38 milhões de euros, cujo valor adicional o Governo está a negociar com o Banco Mundial.

 

Professores e funcionários da Universidade anunciam greve

Professores e funcionários da Universidade de São Tomé e Príncipe entregaram um pré-aviso de greve ao Governo para o dia 26 de Janeiro, reivindicando a aprovação do estatuto remuneratório e o estatuto da carreira do pessoal não docente. Os representantes da comissão reuniram-se com a ministra da Educação, Isabel Abreu, na quarta-feira, num encontro em que dizem ter iniciado as negociações sobre os pontos considerados essenciais do caderno reivindicativo, que inclui também o facto de não terem sido contemplados no ajuste salarial efectuado pelo Governo em finais do ano passado. “A Universidade já tem mais de 10 anos e o documento reitor da Universidade, que é o estatuto da carreira docente e o estatuto remuneratório, nunca foi aprovado”, sublinhou o porta-voz da comissão. Dossavi Freitas avançou que espera “bom senso e uma maior abertura da ministra”, tendo em conta que “existem aspectos cruciais que não podem ficar para trás”. A comissão defendeu ainda maior valorização de docentes com formação superior de mestrado e doutoramento. “Nós temos pessoas com mestrado e doutoramento a receber como professores com simples licenciatura, e isso não é compatível. Precisamos de primar pela excelência e, se primarmos pela excelência, temos de pagar em função das categorias que cada um tem”, alertou o porta-voz da comissão.

 

JTM com Lusa