O Governo militar no poder em Myanmar negou um pedido da enviada especial da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Theresa Lazaro, para se reunir com Aung San Suu Kyi, vencedora do Prémio Nobel da Paz e líder deposta do país, que está presa desde o golpe de 2021, disse o porta-voz birmanês Khiang Khiang Soe. O representante de Naypyidaw afirmou, durante uma conferência de imprensa, que Suu Kyi, que segundo os militares birmaneses foi transferida a 30 de Abril da prisão para prisão domiciliária num local não especificado, está a cumprir pena e isso impede-a de se reunir com representantes de outros governos. Desde o anúncio da transferência, organizações políticas e familiares têm exigido provas conclusivas de que a política birmanesa com 81 anos está viva. Apenas foi divulgada uma fotografia sua, mostrando-a visivelmente magra, sentada em frente a dois agentes de segurança, sem especificar a data em que a foto foi tirada. “Suu Kyi foi julgada e condenada de acordo com a lei e está a cumprir a sua pena. Por isso, não pode reunir-se com representantes internacionais”, insistiu Soe, citado pelo “Eleven Media”, órgão da comunicação social birmanesa. “É possível que só o possa fazer após cumprir a pena, caso receba permissão. Actualmente, como está a cumprir pena, tal encontro não é possível”, enfatizou, garantindo que “a saúde de Suu Kyi é muito boa”. “Não tem problemas nem dificuldades. Goza de uma excelente saúde. Além disso, realiza exames médicos regularmente”, acrescentou. Em 2023, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, Don Pramudwinai, afirmou ter-se encontrado com Suu Kyi na prisão. Suu Kyi cumpria pena por uma série de crimes pelos quais foi acusada após o golpe de 2021, numa das poucas visitas conhecidas. A Ministra dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Theresa Lazaro, visitou Myanmar em Janeiro e declarou recentemente que estava a preparar outra viagem ao país, embora não tenha sido anunciada qualquer data. Lazaro ocupa actualmente o cargo de Enviada Especial da ASEAN para Myanmar, um posto rotativo geralmente ocupado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do país que detém a presidência da ASEAN – as Filipinas em 2026. Entretanto, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Dax Imperial, reiterou na terça-feira a importância da libertação de todos os presos políticos, incluindo Suu Kyi. O golpe militar de 1 de Fevereiro de 2021 mergulhou Myanmar numa profunda crise política, social e económica, desencadeando uma espiral de violência com novas milícias civis que agravaram a guerra de guerrilha que assola o país há décadas.
JTM com agências internacionais



