A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral (C), à chegada para presidir a reunião da Comissão Nacional de Emergência e Proteção e Civil em Carnaxide, 1 de fevereiro de 2026. FILIPE AMORIM/LUSA
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral (C), à chegada para presidir a reunião da Comissão Nacional de Emergência e Proteção e Civil em Carnaxide, 1 de fevereiro de 2026. FILIPE AMORIM/LUSA

A ministra da Administração Interna de Portugal, Maria Lúcia Amaral, pediu a demissão na terça-feira e o Presidente da República aceitou-a. “O Presidente da República aceitou o pedido de demissão da Ministra da Administração Interna, que entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”, refere uma nota de Belém, acrescentando que o Primeiro-Ministro (PM) “assumirá transitoriamente as respectivas competências”, logo que a exoneração se torne efectiva. Esta é a primeira demissão do XXV Governo liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 5 de Junho de 2025. No primeiro Governo que liderou, e que durou pouco mais de um ano, o actual PM fez uma única remodelação, cerca de dez meses depois da sua posse, com a substituição de seis secretários de Estado, mas sem mudança de qualquer ministro. A demissão da ministra da Administração Interna aconteceu na véspera do debate quinzenal no parlamento, que deverá ficar marcado pela actuação do Governo na resposta às consequências do mau tempo que causou 15 mortes em Portugal nas últimas duas semanas. Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Montenegro responderá pela primeira vez na Assembleia da República à oposição, que criticou a actuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem precisamente a demissão da ministra. O Presidente da República afirmou compreender a demissão, perante a “situação complexa” das últimas semanas. Questionado pelos jornalistas se considera tardia a demissão e se entende que é preciso alguém com outro perfil para o cargo, Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a responder a estas perguntas, e referiu que foi a ministra quem “ponderou as circunstâncias” e entendeu que não tinha condições para continuar em funções. Por sua vez, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu que a demissão de Maria Lúcia Amaral “é a prova de que o Governo falhou na resposta” à tempestade e lembrou que “o mais importante responsável da Protecção Civil” é o PM, que não “pode alienar as suas próprias responsabilidades”. “Há um problema de acerto do Governo na resposta às crises, de que esta é apenas a expressão mais recente. Todos temos bem consciência do que foi a gestão do apagão no país, dos incêndios florestais no verão passado, na altura em que sofria o povo português, o partido do Governo estava em festa no Algarve e agora o facto de se ter chegado tarde e a más horas a uma crise, a uma tempestade”, referiu. O presidente do Chega, André Ventura, também considerou que a demissão da ministra “é a prova da incapacidade do Governo em gerir todas as adversidades que o país tem enfrentado, desde os incêndios ao recente fenómeno das tempestades” e “um falhanço evidente” do PM.

 

JTM com Lusa