RAQUEL RIO*
Milhares de fiéis concentraram-se, em Luanda, junto à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, para ver e receber a bênção do Papa Leão XIV, em busca de mensagens de encorajamento e esperança para ultrapassar as adversidades. Este foi o último ponto oficial da visita de Leão XIV, que na terça-feira se despediu de Angola, onde chegou no sábado, seguindo depois para a Guiné Equatorial, última etapa da viagem apostólica a África.
Bernardo Gato, de 29 anos, é um dos milhares de católicos que aguardavam esta tarde com expectativa pela bênção do Papa, congratulando-se pelo vislumbre, ainda que breve, de Leão XIV.
O jovem, pertencente à paróquia da Igreja de Nossa Senhora das Graças, não quis deixar passar a oportunidade de ter o Papa em terras africanas e deslocou-se para receber a bênção papal que, acredita, lhe trará “coisas boas”.
Depois de frustrada a participação nas celebrações no Kilamba e na Muxima, outros pontos por onde o Sumo Pontífice passou na região de Luanda, conseguiu sair do trabalho e acorrer à igreja para marcar na sua vida este momento da presença do Papa, destacando entre as mensagens de Leão XIV a exortação à paz e à esperança.
Em declarações à Lusa, Bernardo Gato disse ter gostado particularmente do apelo dirigido aos jovens, maioria da população angolana, incentivando-os a não ter medo de alcançar os objectivos e a dizer a verdade. “Na Muxima ele dizia, chega de fome, e nós, jovens, devemos ser mais acolhedores, dar de comer a quem tem fome, a quem tem sede, lutar sempre pela justiça”, sublinhou.
“Como jovens que somos, precisamos de lutar para que essa justiça se cumpra, connosco e com os nossos próximos”, acrescentou, considerando que estas são mensagens importantes para todos os jovens angolanos, para que a “caminhada de fé se fortaleça”.
“A fé é algo que move montanhas e nós, jovens angolanos, por causa de muitas adversidades na vida, estamos a perder a fé e a esperança num mundo melhor”, lamentou, exortando os jovens a que tenham mais fé e “dias melhores hão-de vir”.
Já Figueiredo Miguel, que viveu a visita com “muita emoção e alegria”, destacou o contacto do Papa com os idosos durante a deslocação a Saurimo, sublinhando o apelo ao respeito pelos mais velhos, bem como as mensagens de paz, que considera terem vindo “engrandecer Angola e despertar os angolanos”.
Elsa de Oliveira, outra das crentes que também quis ir receber a bênção papal, disse ser a terceira vez que assiste à visita de um Papa a Angola, depois de João Paulo II e Bento XVI. “Ele é o enviado de Cristo na Terra, por isso estamos aqui”, afirmou, emocionada, após ver o Papa.
Sobre Leão XIV, diz que lhe transmitiu paz e serenidade, com palavras que “tocam os cristãos e não só”. “São mensagens que confortam a nossa alma. O Papa veio para nos transmitir a paz que precisamos (…): se confiamos em Jesus estamos salvos e conseguimos alcançar tudo o que precisamos”, afirmou, pedindo paz para si e para todos os angolanos.
Apesar de o sol se ter apresentado menos intenso do que na Muxima, o calor, a emoção e a longa espera provocaram alguns desmaios, tendo os fiéis sido prontamente assistidos por equipas médicas posicionadas no local.
Igreja angolana reafirma profundo compromisso com acção missionária
O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé destacou o profundo compromisso da Igreja com a acção missionária, que passa pela mediação e formação de consciências das crianças, adolescentes e jovens. Manuel Imbamba, arcebispo da diocese de Saurimo, intervinha no encontro entre o Papa Leão XIV e a comunidade religiosa, realizado na Paróquia de Fátima, o último acto religioso do Santo Padre na visita a Angola. Segundo Manuel Imbamba, a Igreja em Angola continua forte e profundamente comprometida com a acção missionária, anunciando que está em curso o processo para a criação do instituto missionário masculino, com a designação de Instituto Missionário Mamã Muxima, para atender às necessidades dentro e fora do país. “Assumimos com muita coragem a nossa missão de mediação e de formação de consciências, apostando firmemente nas nossas crianças, adolescentes e jovens”, disse Manuel Imbamba. O prelado frisou que estiveram presentes no encontro a força viva da igreja, nomeadamente bispos, sacerdotes, consagrados, consagradas e os “incansáveis catequistas”. “Estes homens e mulheres são os rostos de uma Igreja em saída, que não teme as periferias e que tudo faz para levar o evangelho a cada canto”, disse.
*Jornalista da agência Lusa





