O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, teve uma reunião “muito cordial” com o Presidente da República eleito, António José Seguro, sobre assuntos de política nacional e internacional, segundo uma nota da Presidência. Marcelo Rebelo de Sousa recebeu o seu sucessor durante três horas e meia, no Palácio de Belém. De acordo com a nota, “na reunião, que decorreu em ambiente muito cordial, foram abordados assuntos de política nacional e internacional, que vão requerer a atenção prioritária do novo Presidente, bem como outros assuntos relativos à transição dos mandatos”. “Marcelo Rebelo de Sousa convidou depois o seu sucessor a uma visita no Palácio, para conhecer as instalações onde exercerá funções a partir de 09 de Março, e rever a sala do Conselho de Estado, onde foi conselheiro entre 2011 e 2014”, lê-se na mesma nota. Seguro chegou ao Palácio de Belém pouco antes das 16:00 de segunda-feira e foi recebido à entrada pelo chefe da Casa Civil do Presidente da República, Fernando Frutuoso de Melo. Logo depois, Marcelo Rebelo de Sousa saudou-o na Sala das Bicas, onde os dois deram um demorado aperto de mão, perante a comunicação social, e seguiram para o gabinete oficial do chefe de Estado. Passadas exactas três horas e meia, o Presidente eleito saiu do Palácio de Belém, sem prestar declarações aos jornalistas. Marcelo Rebelo de Sousa acompanhou-o até à Sala das Bicas, onde se despediram, pouco antes das 19:30. António José Seguro vai tomar posse perante a Assembleia da República, como estabelece a Constituição, como o sexto Presidente da República eleito em democracia, depois de António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Aníbal Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026). As agências internacionais são unânimes em dar conta que o socialista moderado António José Seguro venceu o segundo turno das eleições presidenciais, superando amplamente o seu adversário de extrema-direita André Ventura. Com 99,2% dos votos contabilizados, Seguro, de 63 anos, obteve 66,8% da preferência dos eleitores, enquanto Ventura, de 43, somou 33,2%. Embora o papel do chefe de Estado português seja principalmente simbólico, ele é chamado a desempenhar como árbitro em caso de crise e dispõe do poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas. “Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”, declarou Seguro, antes de acrescentar que pretende ser “o presidente de todos os portugueses”. Seguro chegou ao turno decisivo como favorito, segundo as pesquisas, após vencer o primeiro em 18 de Janeiro. Apesar de ter saído derrotado, Ventura consolidou as suas ambições com a passagem para a segunda volta. O partido de extrema-direita, Chega, estabeleceu-se como a segunda força política do país. “Em breve, governaremos este país”, declarou Ventura. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a vitória de Seguro como um triunfo dos “valores europeus compartilhados”. A campanha foi afectada pelas fortes tempestades e vendavais que causaram a morte de pelo menos 15 pessoas e provocaram danos estimados em 4 mil milhões de euros. Os transtornos provocados pelo temporal obrigaram cerca de 20 distritos entre os mais afectados a adiarem a votação por uma semana, mas esta decorreu normalmente para quase todos os 11 milhões de eleitores habilitados em Portugal e no exterior. Ventura criticou a resposta do governo às condições climáticas extremas e tentou, sem sucesso, adiar toda a eleição. Seguro é um político experiente que, no entanto, passou a última década afastado da vida pública. Ex-líder do Partido Socialista, iniciou sua carreira na juventude. Em 2014, perdeu uma disputa interna pelo poder e foi destituído do cargo de secretário-geral do partido pelo futuro primeiro-ministro António Costa, que agora é presidente do Conselho Europeu. Apesar de ter permanecido fora dos holofotes, nunca renunciou à sua crença numa “esquerda moderna e moderada”. Começou a campanha presidencial sem o apoio da direcção do Partido Socialista, embora a maioria tenha eventualmente o apoiado e foi avançando lentamente nas pesquisas. Enquanto esse favoritismo gerava temores de uma desmobilização do eleitorado, as condições meteorológicas dos últimos dias levaram o candidato socialista a apontar que a abstenção seria o seu “grande rival”. “Eu espero que esta abertura de tempo permita que as pessoas venham votar. Este é o momento em que […] cada voto conta e decide mesmo o futuro do nosso país”, disse Seguro após votar em uma escola de Caldas da Rainha, cidade onde reside, a cerca de 100 km a norte de Lisboa. Ventura, no entanto, prometia uma “ruptura” com as forças políticas que governam Portugal há 50 anos, e queixou-se de ter feito campanha num cenário de “todos contra um”, o que tornou a sua eleição “muito mais difícil”. Seguro venceu o primeiro turno há três semanas com 31,1% dos votos e, desde então, somou o apoio de inúmeras personalidades políticas da extrema-esquerda, do centro e até da direita, mas não o do Primeiro-Ministro Luís Montenegro, do Partido Social Democrata (PSD), de direita moderada.
JTM com agências internacionais



