epa12720453 Portugal's newly elected president, Antonio Jose Seguro (L), of the Socialist Party (PS), attends a meeting with outgoing President Marcelo Rebelo de Sousa (R), the day after his victory in the second round of the country's presidential election with 67 percent of the votes, at Belem Palace in Lisbon, Portugal, 09 February 2026.  EPA/JOSE SENA GOULAO
epa12720453 Portugal's newly elected president, Antonio Jose Seguro (L), of the Socialist Party (PS), attends a meeting with outgoing President Marcelo Rebelo de Sousa (R), the day after his victory in the second round of the country's presidential election with 67 percent of the votes, at Belem Palace in Lisbon, Portugal, 09 February 2026. EPA/JOSE SENA GOULAO

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, teve uma reunião “muito cordial” com o Presidente da República eleito, António José Seguro, sobre assuntos de política nacional e internacional, segundo uma nota da Presidência. Marcelo Rebelo de Sousa recebeu o seu sucessor durante três horas e meia, no Palácio de Belém. De acordo com a nota, “na reunião, que decorreu em ambiente muito cordial, foram abordados assuntos de política nacional e internacional, que vão requerer a atenção prioritária do novo Presidente, bem como outros assuntos relativos à transição dos mandatos”. “Marcelo Rebelo de Sousa convidou depois o seu sucessor a uma visita no Palácio, para conhecer as instalações onde exercerá funções a partir de 09 de Março, e rever a sala do Conselho de Estado, onde foi conselheiro entre 2011 e 2014”, lê-se na mesma nota. Seguro chegou ao Palácio de Belém pouco antes das 16:00 de segunda-feira e foi recebido à entrada pelo chefe da Casa Civil do Presidente da República, Fernando Frutuoso de Melo. Logo depois, Marcelo Rebelo de Sousa saudou-o na Sala das Bicas, onde os dois deram um demorado aperto de mão, perante a comunicação social, e seguiram para o gabinete oficial do chefe de Estado. Passadas exactas três horas e meia, o Presidente eleito saiu do Palácio de Belém, sem prestar declarações aos jornalistas. Marcelo Rebelo de Sousa acompanhou-o até à Sala das Bicas, onde se despediram, pouco antes das 19:30. António José Seguro vai tomar posse perante a Assembleia da República, como estabelece a Constituição, como o sexto Presidente da República eleito em democracia, depois de António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Aníbal Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026). As agências internacionais são unânimes em dar conta que o socialista moderado António José Seguro venceu o segundo turno das eleições presidenciais, superando amplamente o seu adversário de extrema-direita André Ventura. Com 99,2% dos votos contabilizados, Seguro, de 63 anos, obteve 66,8% da preferência dos eleitores, enquanto Ventura, de 43, somou 33,2%. Embora o papel do chefe de Estado português seja principalmente simbólico, ele é chamado a desempenhar como árbitro em caso de crise e dispõe do poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas. “Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”, declarou Seguro, antes de acrescentar que pretende ser “o presidente de todos os portugueses”. Seguro chegou ao turno decisivo como favorito, segundo as pesquisas, após vencer o primeiro em 18 de Janeiro. Apesar de ter saído derrotado, Ventura consolidou as suas ambições com a passagem para a segunda volta. O partido de extrema-direita, Chega, estabeleceu-se como a segunda força política do país. “Em breve, governaremos este país”, declarou Ventura. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a vitória de Seguro como um triunfo dos “valores europeus compartilhados”. A campanha foi afectada pelas fortes tempestades e vendavais que causaram a morte de pelo menos 15 pessoas e provocaram danos estimados em 4 mil milhões de euros. Os transtornos provocados pelo temporal obrigaram cerca de 20 distritos entre os mais afectados a adiarem a votação por uma semana, mas esta decorreu normalmente para quase todos os 11 milhões de eleitores habilitados em Portugal e no exterior. Ventura criticou a resposta do governo às condições climáticas extremas e tentou, sem sucesso, adiar toda a eleição. Seguro é um político experiente que, no entanto, passou a última década afastado da vida pública. Ex-líder do Partido Socialista, iniciou sua carreira na juventude. Em 2014, perdeu uma disputa interna pelo poder e foi destituído do cargo de secretário-geral do partido pelo futuro primeiro-ministro António Costa, que agora é presidente do Conselho Europeu. Apesar de ter permanecido fora dos holofotes, nunca renunciou à sua crença numa “esquerda moderna e moderada”. Começou a campanha presidencial sem o apoio da direcção do Partido Socialista, embora a maioria tenha eventualmente o apoiado e foi avançando lentamente nas pesquisas. Enquanto esse favoritismo gerava temores de uma desmobilização do eleitorado, as condições meteorológicas dos últimos dias levaram o candidato socialista a apontar que a abstenção seria o seu “grande rival”. “Eu espero que esta abertura de tempo permita que as pessoas venham votar. Este é o momento em que […] cada voto conta e decide mesmo o futuro do nosso país”, disse Seguro após votar em uma escola de Caldas da Rainha, cidade onde reside, a cerca de 100 km a norte de Lisboa. Ventura, no entanto, prometia uma “ruptura” com as forças políticas que governam Portugal há 50 anos, e queixou-se de ter feito campanha num cenário de “todos contra um”, o que tornou a sua eleição “muito mais difícil”. Seguro venceu o primeiro turno há três semanas com 31,1% dos votos e, desde então, somou o apoio de inúmeras personalidades políticas da extrema-esquerda, do centro e até da direita, mas não o do Primeiro-Ministro Luís Montenegro, do Partido Social Democrata (PSD), de direita moderada.

 

JTM com agências internacionais