Os líderes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) vão procurar novos acordos energéticos com o Presidente russo, Vladimir Putin, durante uma cimeira entre o bloco regional e a Rússia. O encontro, que começou ontem e termina hoje na cidade russa de Kazan, coincide com o 35º aniversário das relações bilaterais e com a França a acolher a reunião dos líderes do G7, o grupo de economias ocidentais que liderou as sanções contra Moscovo devido à guerra na Ucrânia. Os Primeiros-Ministros da Tailândia, Camboja, Malásia, Singapura, Vietname, Laos e Timor-Leste, bem como o Presidente das Filipinas e o Sultão do Brunei, confirmaram a sua presença em Kazan, enquanto a Indonésia será representada pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros. O Governo vietnamita anunciou que vai realizar uma “revisão abrangente das relações ASEAN-Rússia” durante a cimeira e “traçar novas orientações para fomentar uma cooperação substancial e mutuamente benéfica, particularmente na área da segurança energética”, segundo adiantou a imprensa estatal. Por seu lado, o Primeiro-Ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, afirmou que um dos objectivos desta cimeira é “garantir a continuidade e a segurança do fornecimento de petróleo e gasóleo”, que o seu país compra a Moscovo, apesar das sanções dos EUA e do Ocidente. “Este é o benefício de manter boas relações com outros países”, enfatizou Anwar, acrescentando que prevê um encontro bilateral com Putin. O líder russo não viaja para o Sudeste Asiático desde Junho de 2014, quando assinou acordos em Hanói durante uma visita de Estado ao Vietname, e a sua última participação presencial numa cimeira da ASEAN foi em Singapura, em 2018, antes da pandemia de covid-19 e da guerra na Ucrânia. Nos últimos meses, devido ao fecho parcial do Estreito de Ormuz em plena guerra comercial entre os EUA e Israel contra o Irão, as Filipinas compraram 2,4 milhões de barris de crude russo para expandir as suas reservas, após terem declarado o estado de emergência energética. Vietname e Laos assinaram também acordos para construir centrais nucleares utilizando design e tecnologia russos. Os dois gigantes do continente, China e Índia, estiveram entre os poucos países que continuaram a comprar crude russo após o início da campanha militar contra Kiev, ao contrário de outras nações asiáticas mais alinhadas com os EUA, que retomaram o contacto com Moscovo nos últimos meses para reiniciar estas importações. A opção russa ganhou ainda mais força depois de o Departamento do Tesouro dos EUA ter autorizado a compra temporária de petróleo russo em trânsito a 12 de Março para conter a subida dos preços. A cimeira terminará um dia antes da assinatura do acordo de paz entre os EUA e o Irão na Suíça, que, segundo Washington, levará à normalização do trânsito pelo Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, grande parte destinado aos países da ASEAN e da região Ásia-Pacífico.
JTM com agências internacionais



