O líder Kim Jong Un prometeu melhorar a qualidade de vida dos norte-coreanos ao inaugurar um congresso crucial do seu partido, noticiaram os media estatais. Kim discursou a partir do pódio central para inaugurar o 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, onde irá rever as prioridades nacionais, desde a construção de habitações aos esforços de guerra. O encontro, realizado de cinco em cinco anos, é a reunião mais importante do partido no poder e um evento politicamente significativo que não só reforça a autoridade do regime, como também pode servir de plataforma para anunciar mudanças nas políticas nacionais ou substituições de altos funcionários. “Hoje, o nosso partido enfrenta a difícil e histórica tarefa de impulsionar o desenvolvimento económico e o nível de vida do povo, e de transformar todas as áreas da vida social e estatal o mais rapidamente possível”, declarou Kim no discurso de abertura. “Isto exige que travemos uma luta mais activa e persistente, sem permitir, nem por um momento, a imobilidade ou a estagnação”, afirmou. A economia da Coreia do Norte sofre há anos com as duras sanções ocidentais que afectam tudo, desde o petróleo ao marisco, e cujo objectivo é cortar o financiamento do seu programa de armas nucleares. Em imagens, o líder norte-coreano surge a sair de uma limusina vermelha e a entrar na Casa da Cultura de Pyongyang, onde decorre o congresso, acompanhado pelas autoridades. Os delegados aplaudiram ruidosamente quando o líder tomou o seu lugar no centro do imponente pódio, de onde declarou que a Coreia do Norte superou as suas “piores dificuldades” há cinco anos e que enfrenta agora uma nova etapa repleta de “optimismo e confiança no futuro”. Desde o congresso de 2021, o país acelerou o desenvolvimento do seu arsenal nuclear, com testes recorrentes de lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, desafiando as proibições do Conselho de Segurança da ONU. Pyongyang também forjou laços profundos com Moscovo durante a guerra na Ucrânia, enviando soldados norte-coreanos para combater ao lado das forças russas. Em 2024, as duas nações assinaram um tratado que inclui uma cláusula de defesa mútua. No congresso anterior, Kim declarou os EUA como o “maior inimigo” da sua nação. A questão é se ele suavizará ou reafirmará a sua posição neste congresso. Analistas têm examinado imagens de satélite em busca de qualquer indício dos grandes desfiles militares que caracterizaram encontros anteriores. Qualquer demonstração militar será observada atentamente em busca de sinais de uma mudança na postura militar da nação isolada e detentora de armas nucleares. No final do mês passado, Kim supervisionou o lançamento de um míssil de teste a partir de um lançador múltiplo de rockets e disse que os “planos para a próxima fase, visando fortalecer ainda mais a dissuasão nuclear do país”, seriam esclarecidos no próximo congresso do partido. Kim foi acompanhado no exercício militar pela filha, Ju Ae, apontada como provável sucessora. Será dada muita atenção à possibilidade de Ju Ae receber algum cargo oficial no partido no congresso deste ano. Durante o último congresso, sete dos 10 membros do comité executivo foram substituídos por tecnocratas da área económica, segundo analistas sul-coreanos. Esses analistas levantaram agora a possibilidade de o Congresso fazer renascer o título de “presidente” para Kim Jong-un – uma designação historicamente associada ao fundador do Estado, Kim Il-sung, alinhando a posição do líder mais de perto com a dos chefes de Estado estrangeiros.
JTM com agências internacionais



