Duas juízas do Supremo Tribunal dos EUA, a progressista Elena Kagan e a conservadora Amy Coney Barrett, pediram ao Congresso mais fundos para a segurança, devido ao aumento das ameaças contra elas, as suas famílias e outros juízes federais. Kagan declarou perante a Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes que as ameaças contra os juízes aumentaram drasticamente nos últimos anos, e Barrett relatou um incidente em que o seu filho a viu chegar a casa a usar um colete à prova de bala. Kagan e Barrett explicaram que a equipa de segurança de cada juiz é composta por quatro a oito agentes e solicitaram que este número seja aumentado. Esta é a primeira vez desde 2019 que juízas do Supremo Tribunal comparecem perante os membros da Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes. O Supremo Tribunal solicitou 228 milhões de dólares para o próximo ano fiscal, que começa a 1 de Outubro, para expandir a sua força policial, responsável pela protecção dos juízes nas suas casas e durante as viagens, reforçar as defesas contra ataques cibernéticos e a segurança na sede do Tribunal em Washington com um centro de controlo de visitantes. Elena Kagan afirmou que a Polícia do Supremo Tribunal estimou um aumento de 38% nas ameaças este ano, após uma subida de 25% em 2025. A audição decorreu num clima cordial, e os legisladores manifestaram disponibilidade para aprovar o aumento do financiamento para a segurança. A este propósito, o democrata Steny Hoyer afirmou que os congressistas estão “conscientes das ameaças muito reais” que o poder judicial enfrenta nos EUA, acrescentando que “o Congresso deve fornecer financiamento suficiente para garantir a segurança de todo o pessoal judicial”. O Supremo emitiu recentemente importantes decisões sobre a agenda do Presidente dos EUA. Considerou inconstitucional a tentativa de acabar com o direito à cidadania por nascimento, porém, decidiu a seu favor noutros temas migratórios. Donald Trump elogiou o tribunal de maioria conservadora quando este decidiu a seu favor, mas criticou duramente os magistrados que emitiram sentenças contrárias. Grupos de esquerda do país também expressaram insatisfação com essa maioria conservadora. Em Junho de 2022, uma mulher viajou da Califórnia para Washington para tentar assassinar o juiz Brett Kavanaugh, mas desistiu quando viu a presença policial na rua onde o juiz e a sua família moram. A mulher, que tinha manifestado oposição à decisão que anulou o direito ao aborto a nível federal, foi condenada a oito anos de prisão. “Para alguns de nós, estas ameaças têm estado muito próximas, e todos vivemos com a certeza de que podem voltar a materializar-se”, disse Kagan, de linha liberal, aos congressistas.
JTM com agências internacionais



