Durante a Primavera e o Verão, um grupo de jovens investigadores organiza voluntários locais para patrulhar terras agrícolas e margens de rios três vezes por semana, em busca de caracóis invasores numa área de grande beleza natural na província de Jiangxi, leste da China. O trabalho é árduo, repetitivo e exaustivo, muito diferente das carreiras nas grandes cidades que muitos dos investigadores, a maioria nascidos nas décadas de 1990 e 2000, poderiam ter seguido após obterem os graus de pós-graduação e doutoramento. Nos últimos oito anos, os membros do Laboratório Linnaeus, no condado de Wuyuan, têm trabalhado em tarefas que vão desde a remoção de espécies invasoras ao resgate de animais selvagens feridos e à educação ambiental. Os seus esforços têm ajudado a proteger a biodiversidade local e a aumentar a consciencialização pública sobre a conservação ecológica. Wuyuan, muitas vezes chamada de “a aldeia mais bonita da China”, é conhecida pelas casas tradicionais de estilo Huizhou, com paredes brancas e telhas pretas, bem como pelos vastos campos de flores de colza que atraem turistas todas as Primaveras. Situado num canto tranquilo da sede do condado, o laboratório, nomeado em homenagem ao botânico sueco Carl Linnaeus em reconhecimento do seu trabalho, é um espaço discreto, mas mágico. Lá dentro, crianças observam através de microscópios, esporos de fetos crescem em placas de Petri e animais selvagens resgatados encontram um lar temporário. O laboratório foi fundado em 2018 por Liu Zhilong, botânico da geração pós-90, juntamente com parceiros de várias universidades chinesas. Em vez de permanecerem em grandes cidades, os jovens investigadores decidiram estabelecer-se na zona rural de Jiangxi. “No início, os habitantes locais achavam que éramos pessoas estranhas a fazer coisas estranhas. Mas depois, passaram a compreender exactamente o que estávamos a fazer”, disse Liu. Uma das principais batalhas sazonais da equipa é o combate aos caracóis-maçã-dourada, espécie invasora que ameaça plantações e ecossistemas aquáticos. Zhou Xinlong, capaz de identificar mais de 6.000 espécies de plantas, ensina os habitantes locais a capturar ovos de caracol, colocando tiras de bambu no lodo em águas pouco profundas. “Usámos calças impermeáveis e colocámos tiras de bambu no lodo de manhã, antes de recolher os caracóis e remover os ovos mais tarde”, disse Zhou. O trabalho de campo pode ser mal interpretado. Shen Xianhui, doutorado em ecologia, recorda-se de ter saído de barco à 1h da manhã para estudar a actividade dos caracóis, apenas para ser confundido com ladrão de peixe pelos habitantes locais vigilantes. No segundo semestre de cada ano, a equipa volta a atenção para outra ameaça ecológica: a vara-de-ouro-do-Canadá, planta invasora que se espalha rapidamente e sufoca a vegetação nativa. Os investigadores incentivam a participação pública no controlo de espécies invasoras através de campanhas educativas, realizando até nove palestras públicas num único dia para ensinar competências de identificação e lançando um miniprograma para que os residentes possam comunicar avistamentos. Os voluntários participam também em actividades de remoção e compostagem. “Depois de participar, percebi que isto não é apenas trabalho físico, mas uma lição valiosa para ajudar a compreender a natureza”, disse Jiang Li, uma habitante local que participou nas actividades com o seu filho.
JTM com agência Xinhua



