O Reino Unido e União Europeia estabeleceram um “projecto de acordo” que deverá incluir a questão da fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, principal obstáculo nas negociações
Convocado de emergência, o Conselho de Ministros do Reino Unido iniciou ontem, pelas 14:00 (22:00 em Macau), a análise do “projecto de acordo” sobre o “Brexit” que, segundo um porta-voz do governo de Londres, foi acertado em Bruxelas pelos negociadores das duas partes.
A menos de cinco meses da data prevista para a saída britânica da União Europeia (UE), a Primeira-Ministra Theresa May tentava há vários dias concluir as negociações com Bruxelas para que o Parlamento britânico pudesse votar o acordo antes do interregno de fim de ano. Vários meios de comunicação britânicos relataram que os ministros foram convocados individualmente na noite de terça-feira para “Downing Street”.
Segundo a agência AFP, uma fonte europeia confirmou a existência de um acordo técnico que ainda deve ser ratificado a nível político por ambas as partes.
Citando duas fontes governamentais, a emissora pública irlandesa RTE assegurou ter sido atingido um acordo sobre a fronteira entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte. De acordo com a mesma fonte, a solução implica a manutenção do Reino Unido num acordo aduaneiro com a UE “com disposições ‘mais profundas’ para a Irlanda do Norte”.
Contudo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros irlandês garantiu em comunicado que “as negociações entre a UE e o Reino Unido sobre um acordo de saída continuam e não foram concluídas”.
A fronteira irlandesa tem sido o maior obstáculo nas longas e difíceis negociações sobre o “Brexit”. Ambas as partes concordaram em evitar a restauração de uma fronteira física na ilha para preservar o acordo de paz da Sexta-Feira Santa, que em 1998 encerrou 30 anos de conflito sangrento na Irlanda do Norte, mas divergiam sobre o modelo a utilizar.
O princípio de acordo agora anunciado ainda deve ser oficialmente aprovado pelos líderes europeus, que devem realizar uma cimeira extraordinária no final deste mês.
Todavia, Theresa May ainda não venceu a “batalha”, conforme ressalvaram analistas da “Capital Economics”. “Mesmo que tenha sido alcançado um acordo com a UE, não há garantia de que será aceite pelo Governo ou pelo Parlamento britânico”, afirmaram numa nota, acrescentando: “Não ficaríamos surpresos em ver mais renúncias, tanto dos conservadores eurófilos como dos eurocépticos”.
Na sexta-feira, o ministro dos Transportes, Jo Johnson, irmão do ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson, renunciou repentinamente alegando que o acordo do “Brexit” que estava a ser finalizado “seria um erro terrível”. Jo Johnson pediu, inclusive, um segundo referendo.
No final de Outubro, mais de 500 mil pessoas fizeram um protesto ruidoso em Londres para solicitar um novo referendo, desta vez sobre os termos do acordo final com Bruxelas.
No referendo sobre o “Brexit” realizado a 23 de Junho de 2016, 52% dos britânicos votaram a favor da saída da UE. No entanto, um inquérito conduzido pela “Survation” e publicado a 5 de Novembro pela emissora “Channel 4”, indicou que os defensores da permanência na Europa representam agora 54% do total.
JTM com agências internacionais



