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Os produtores começaram a fazer cerveja em garagens, só para amigos. O mercado depois deu dados positivos e atualmente são cada vez mais aqueles que fazem disto negócio

 

CÉLIA DOMINGUES

 

 

Bebe-se geralmente fresca, lentamente, acompanhada de uma roda de amigos. Portugal é um fiel consumidor de cerveja, mas pouco se conhecia sobre produção de cerveja em casa, que se pode fazer com recurso a um kit de fermentação (custa cerca de 100 euros). As receitas estão acessíveis na internet. Nalgumas garagens deste país, há homens agarrados aos tachos a fazer cerveja para consumo próprio. E com resultados que estão a surpreender, como atesta o recente surgimento de marcas de cerveja artesanal: já são mais de 20.

Paula Vilela é uma fiel adepta das cervejas artesanais, ditas “não comerciais”. Habituada a viajar, esta professora de Vila de Rei já provou das “melhores cervejas do mundo”, sobretudo na Holanda, Bélgica, Alemanha. Acompanhada do pai, cada um com a sua caneca de cerveja, no Festival de Cerveja Artesanal da Sertã, diz que é a primeira vez que prova cerveja artesanal portuguesa. “Garanto-lhe que foi uma das melhores cervejas artesanais que já bebi e olhe que já andei por muitos países.”

 

Estima-se que existam mais de dois mil produtores de cerveja artesanal no País, a produzir para consumo doméstico e para amigos. Nos últimos três a quatro anos surgiu um boom de marcas de cerveja artesanal de venda ao público. Serão entre 20 e 30 aquelas que já estão no mercado. Todos os produtores começaram a fazer cerveja da mesma maneira: “por carolice” sem sonharem um dia fazer disto um negócio. Foi o caso da Vadia, uma das marcas mais antigas de cerveja artesanal, criada em 2006, por três amigos. “Fazíamos cerveja na garagem do meu avô há muitos anos. As pessoas começaram a elogiar o produto, pesquisámos muita coisa no estrangeiro e decidimos avançar para uma coisa mais industrial”, explica um dos sócios, Nicolas Billard, com formação em Engenharia Alimentar e especialização em Cervejaria.

A Letra – Cerveja Artesanal Minhota resulta de um trabalho de investigação ao sector cervejeiro, em 2009, de Francisco Pereira e Filipe Macieira, da Universidade do Minho. A produção própria é feita numa fábrica de 600 m2 em Vila Verde. A parceria com a Universidade do Minho permite um constante controlo de qualidade e o desenvolvimento de cervejas. Até final do ano, nascerá uma cervejaria à frente da fábrica, no conceito de venda direta ao público e para que este possa ver a produção. Praticamente todas as marcas estão a desenvolver projectos de aumento da capacidade de produção. A jovem Toira, da Bairrada, está no mercado apenas desde Janeiro e está a começar a dar os primeiro passos. Filho de um produtor de vinho, Pedro Figueiredo, de 25 anos, produz cerca de 500 litros por mês e nada fica na oficina. “Vai tudo para o mercado”, responde o jovem empresário.

 

JTM/DN