O Irão rejeitou o plano de 15 pontos proposto pelos EUA para terminar a guerra no Médio Oriente, e apresentou uma contraproposta, ao mesmo tempo que lançava mais ataques contra Israel e os países árabes do Golfo. A informação foi divulgada pela Press TV, depois da Marinha iraniana anunciar que havia atacado o porta-aviões americano “Abraham Lincoln”, mobilizado no Golfo. “A guerra terminará quando o Irão decidir encerrá-la, e não quando Trump considerar o seu fim”, declarou uma autoridade iraniana, em linha com a posição oficial de Teerão nos últimos dias. O plano de Washington, cujos detalhes não foram confirmados por fontes independentes, continham as primeiras propostas oficiais dos EUA desde o início da guerra, desencadeada pelos ataques israelitas e americanos a 28 de Fevereiro. O documento foi transmitido ao Irão pelo Paquistão, que mantém boas relações com Teerão e Washington. O Irão rejeitou o plano americano e divulgou a sua proposta, que inclui a suspensão dos assassinatos dos seus funcionários, medidas para garantir que nenhuma outra guerra é travada contra o país, reparações pela guerra, o fim das hostilidades e o “exercício da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz”. Enquanto a actividade diplomática parece ganhar impulso, os ataques continuavam no terreno. Nas últimas horas, foram registados bombardeamentos no Irão, Israel, Líbano, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Arábia Saudita. Na capital iraniana, Shayan, um homem de 40 anos, disse à AFP: “há gasolina, água e electricidade. Mas todos temos uma sensação de desamparo. Não sabemos o que fazer e, de facto, não há nada que possamos fazer”. Noutra frente, aviões israelitas bombardearam os subúrbios ao sul de Beirute, reduto do Hezbollah, movimento islamista pró-Irão. No plano diplomático, as duas partes apresentaram versões contraditórias, embora mediadores afirmem que, nos bastidores, continuam os esforços para transmitir mensagens. “Há esperança, mas é cedo demais para ser optimista”, disse uma fonte diplomática regional, sob anonimato. Segundo a fonte, ambas as partes precisam de recuar sem perder prestígio. Em público, o Irão manteve a retórica combativa. “Não testem a nossa determinação em defender o nosso território”, afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf. Segundo a emissora israelita Canal 12, dos 15 pontos da proposta americana, cinco tratam do programa nuclear iraniano; outros exigem o fim do apoio a aliados do Irão na região, como Hezbollah e Hamas; e um prevê que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação. Em contrapartida, o Irão obteria a suspensão de sanções internacionais e apoio ao seu programa nuclear civil. Face à recusa de Teerão, a Casa Branca avisou que poderá “desencadear o inferno” caso o Irão cometa um “erro de cálculo” no conflito com os EUA e Israel, garantindo que Washington está preparado para intensificar a resposta militar. A China, pelo seu lado, indicou que “é sempre melhor negociar do que intensificar os combates”, apelando à resolução do conflito no Médio Oriente, e afirmou apoiar “todas as iniciativas que contribuam para reduzir tensões”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou ainda que Pequim “espera que todas as partes aproveitem qualquer oportunidade e janela para a paz e iniciem, o mais rapidamente possível, um processo de diálogo”. Acrescentou também que a situação está a afectar a segurança energética global, o funcionamento das cadeias de abastecimento e produção, bem como a ordem do comércio internacional, sublinhando que a China “está disposta a reforçar a coordenação e cooperação com a comunidade internacional para enfrentar conjuntamente os desafios em matéria de segurança energética”. Na véspera, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, manteve uma chamada telefónica com o seu homólogo iraniano, na qual apelou ao regresso à via do diálogo para pôr fim à guerra do Irão e iniciar negociações de paz “o mais cedo possível”. Wang insistiu que todas as questões sensíveis devem ser resolvidas através do diálogo e da negociação, e não pelo recurso à força.
JTM com agências internacionais



