O Irão exigiu o fim da guerra no Oriente Médio, do bloqueio americano aos portos e a libertação de seus activos congelados, na contraproposta apresentada ao Presidente americano, Donald Trump, que a rejeitou categoricamente. O impasse provoca o receio de uma retoma das hostilidades no Golfo, frustra as esperanças de um acordo negociado rápido para a reabertura do Estreito de Ormuz ao transporte comercial e eleva os preços do petróleo. Trump reagiu furioso à resposta do Irão à mais recente proposta de paz dos EUA, classificando a contraproposta como “totalmente inaceitável”. Os mercados de energia reagiram imediatamente com uma alta nos preços do petróleo do tipo Brent, referência internacional, que se aproximaram de 100 dólares por barril, sem que Donald Trump tivesse especificado os pontos de divergência. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, o país pediu o fim do bloqueio naval americano e da guerra “em toda a região”, o que implica um cessar dos ataques israelitas contra o grupo pró-iraniano Hezbollah no Líbano. Numa conferência de imprensa, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, informou que as exigências do país também incluem a “libertação dos activos pertencentes ao povo iraniano, que durante anos têm permanecido injustamente bloqueados em bancos estrangeiros”. As exigências significariam o retorno à situação anterior ao ataque conjunto dos EUA e de Israel contra o seu território, a 28 de Fevereiro e, também seriam o equivalente a uma vitória de Teerão na luta contra o isolamento económico. “Não exigimos nenhuma concessão. Exigimos apenas os direitos legítimos do Irão”, declarou Baqaei. O fim das sanções internacionais reduziria a influência de Washington sobre Teerão para impor limites ao seu programa de enriquecimento de urânio. EUA, Israel e os seus aliados acusam o Irão de almejar o fabrico de uma bomba atómica, o que Teerão nega. Por sua vez, o Primeiro-Ministro israelita insistiu que a guerra não terminará até que as instalações nucleares do Irão sejam destruídas. “Ainda não terminou, porque ainda resta material nuclear – urânio enriquecido – que precisa ser retirado do Irão”, disse Benjamin Netanyahu numa entrevista ao canal americano CBS. “Ainda existem instalações de enriquecimento que devem ser desmanteladas”, acrescentou. Segundo o “Wall Street Journal”, a contraproposta iraniana inclui a possibilidade de diluir parte do seu urânio altamente enriquecido e transferir outra parte para um terceiro país. Porém, Teerão quer garantias de que o urânio transferido será devolvido em caso de fracasso das negociações ou se o governo dos EUA abandonar o acordo, informou o WSJ. O tema estará na agenda de Trump durante a sua viagem à China, grande compradora de petróleo iraniano, informou uma fonte do governo americano. A ausência de acordo aumenta a preocupação sobre o Estreito de Ormuz, onde o Irão restringe o tráfego marítimo e estabeleceu um mecanismo para cobrar portagem aos navios que atravessam a via. A Casa Branca considera inaceitável que Teerão controle a rota de exportação de 20% do petróleo mundial e a Marinha dos EUA também bloqueia os portos iranianos nas duas direcções. À medida que a solução diplomática perde força, os ataques do Irão com drones aumentam no Golfo, o que coloca em risco o cessar-fogo. No domingo, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar denunciaram incidentes do tipo. Numa publicação nas redes sociais, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezai, advertiu Washington: “A partir de hoje, acaba a nossa moderação. Qualquer ataque contra os nossos navios provocará uma resposta iraniana forte e decisiva contra os navios e as bases americanas”.

 

JTM com agências internacionais