O Senado filipino, reunido como tribunal de impeachment, iniciou o julgamento da vice-presidente Sara Duterte, que, se for condenada, poderá ser impedida de ocupar cargos públicos, prejudicando as ambições de se tornar presidente em 2028. O julgamento decorre num contexto político turbulento, poucos dias depois do caos e do tiroteio no Senado e de uma mudança decisiva na sua liderança, ambos resultantes do reaparecimento dramático, depois de ter saído da clandestinidade, de um senador pró-Duterte procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). “O julgamento da vice-presidente Sara Zimmerman Duterte está aberto”, declarou o novo presidente do Senado, Alan Peter Cayetano. O senador Ronald “Bato” dela Rosa, acusado pelo TPI de crimes contra a humanidade pelo seu papel na sangrenta “guerra contra a droga”, reapareceu no Senado a 11 de Maio, após seis meses em fuga, ajudando a eleger Cayetano, aliado de Duterte, como presidente do Senado e, consequentemente, a presidir ao julgamento. Sara Duterte, de 47 anos, teve 10 dias para responder às acusações de uso indevido de fundos públicos, acumulação inexplicável de riqueza e ameaças de morte contra o Presidente Ferdinand Marcos Jr., a primeira-dama e um ex-presidente da Câmara dos Representantes. Sara Duterte, que em Fevereiro anunciou a candidatura à presidência, nega as acusações, classificando o processo de impeachment como politicamente motivado. A sua equipa de defesa afirmou que cumprirá as ordens do tribunal, mas não comentará o julgamento. Os analistas disseram que a mudança na liderança do Senado, desencadeada pelo regresso surpresa de dela Rosa, pode ter alterado o equilíbrio de poder numa câmara que inclui lealistas de Duterte e políticos alinhados. Dela Rosa não esteve presente, tendo regressado à clandestinidade. Está entre os 24 membros do Senado que servirão como jurados. Uma condenação requer o apoio de dois terços. “Dado que temos agora uma nova maioria, graças aos esforços do Senador Bato, processar a vice-presidente Sara no tribunal de destituição seria um pouco mais difícil”, disse o professor Ederson Tapia, que lecciona administração pública na Universidade de Makati. Sara Duterte está a passar pelo seu maior teste político numa altura em que o seu pai, o ex-Presidente Rodrigo Duterte, aguarda o seu próprio julgamento no TPI pela sua violenta repressão das drogas. Marcos Jr e Sara Duterte são herdeiros de poderosas famílias políticas que concorreram juntos nas eleições de 2022, antes de um grande desentendimento entre eles que levou ao escrutínio do Congresso. Marcos demarcou-se da destituição, afirmando ser uma questão legislativa. Dezenas de manifestantes concentraram-se em frente ao edifício do Senado, fortemente vigiado: uns manifestaram o seu apoio, outros pediram a condenação.
JTM com agências internacionais



