Hong Kong ultrapassou a Suíça pela primeira vez na história, tornando-se o maior centro de gestão de riqueza transfronteiriça (offshore) do mundo, com um volume de 2,9 biliões de dólares, segundo o Relatório Global de Riqueza 2026, publicado ontem pelo “Boston Consulting Group” (BCG). Este marco financeiro, impulsionado por um crescimento anual de 10,7% nos activos registados na RAEHK em 2025, é atribuído à forte entrada de capital da China continental, ao ressurgimento das ofertas públicas iniciais (IPO) e aos sólidos ganhos nos mercados bolsistas. A nível global, a riqueza financeira cresceu 10,7%, para 333 biliões de dólares, desafiando as tensões comerciais e a instabilidade geopolítica internacional. Segundo Michael Kahlich, CEO da BCG, a consolidação de Hong Kong “reflecte a crescente atracção gravitacional da riqueza e dos mercados de capitais asiáticos”, evidenciando uma profunda reformulação do panorama financeiro global. A análise confirma que o capital estrangeiro está a consolidar-se em dois grandes blocos. Assim, o eixo asiático, liderado por Hong Kong e Singapura – que se consolida como o porto seguro mais diversificado da região – atrai fluxos da China (cuja riqueza cresceu 15%), da Índia e do Sudeste Asiático. Enquanto isso, a rede ocidental, composta pela Suíça, EUA e Reino Unido, mantém o seu domínio sobre a riqueza da Europa, América Latina e Médio Oriente. O relatório alerta para dois desafios cruciais que transformarão o sector: a iminente mudança geracional e a ascensão da inteligência artificial (IA). Por um lado, a transferência de riqueza na Ásia será crucial, dado que quase metade das maiores corporações ainda são lideradas por fundadores com mais de 70 anos. “As empresas que conseguirem ajudar os clientes a gerir a governação, a coordenação intergeracional e as estruturas patrimoniais a longo prazo irão moldar a próxima era da gestão de património na Ásia”, antevê Kahlich. Além disso, a BCG estima que os gestores financeiros que adoptem precocemente a IA obterão uma clara vantagem competitiva, podendo aumentar a sua receita por consultor até 20% e melhorar a sua eficiência operacional.



