Em 2011, o Presidente Barack Obama declarou que era tempo de os EUA deixarem para trás as guerras no Iraque e no Afeganistão e “voltarem a sua atenção” para a Ásia, de forma a conter a ascensão comercial da China. Quinze anos depois, os EUA ainda estão em guerra no Médio Oriente e retiraram recursos militares da região Ásia-Pacífico, procurando eliminar a ameaça representada pelos programas nucleares e de mísseis do Irão. As exigências da guerra com o Irão levaram também o Presidente Donald Trump a adiar por várias semanas a sua tão aguardada viagem à China, aumentando as preocupações de que Washington estejam novamente a distrair-se em detrimento dos seus interesses estratégicos na Ásia, onde Pequim procura destronar os EUA como líder regional. Os cépticos sobre o envolvimento dos EUA no Médio Oriente dizem que a guerra está a impedir Trump de se preparar adequadamente para a cimeira com o líder chinês Xi Jinping no próximo mês, quando os interesses económicos estão em jogo, e alertam que a falta de foco na Ásia e a não manutenção de uma forte dissuasão podem levar a uma maior instabilidade, embora esteja fora de questão a possibilidade, apresentada pelos mais radicais que a China ache que chegou a altura de tomar Taiwan. “Este é precisamente o momento errado para os EUA se afastarem e serem sugados para outro conflito intratável no Médio Oriente”, disse Danny Russel, membro do Asia Society Policy Institute, observando que “o reequilíbrio para a Ásia é altamente relevante para os interesses nacionais dos EUA, mas tem sido prejudicado por muitas más decisões”. A verdade é que altos dignatários norte-americanos não conseguem compreender porque Pequim não se acomoda com os ditames de Trump como os países da União Europeia. A China não só não cede, como sanciona de volta. “Pequim é o principal apoio político moral e comercial dos adversários com os quais o Presidente Trump está a lidar sequencialmente, e até ele já percebeu depois do primeiro período de tarifas de 100%”, disse Matt Pottinger, que foi vice-conselheiro de segurança nacional na primeira administração Trump, num podcast recente. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, por seu lado, mostrou que ainda está mais longe de compreender Xi. Recentemente afirmou que os conflitos podem não se limitar a um único teatro de operações, sugerindo que a China poderia recorrer a “parceiros menores” noutros locais para desviar a atenção dos EUA caso agisse contra Taiwan. “Muito provavelmente, não se limitará apenas ao Indo-Pacífico”, disse Rutte, falando na quinta-feira no Instituto Ronald Reagan, em Washington. Com uma análise ligeira, o secretário-geral da NATO parece que ainda não percebeu que as “armas” da China, em relação a Taiwan ligam-se à evolução sociopolítica interna da ilha, onde o partido da oposição Kuomintang já tem a maioria no Parlamento, “armas” potenciadas pelas interdependências económicas, sociais, incluindo familiares, entre Taipé e Pequim.
JTM com agências internacionais



