A China confirmou ontem que a visita a Pequim de Donald Trump decorrerá entre amanhã e sexta-feira. Semanas antes da sua viagem, o Presidente dos EUA já previa nas redes sociais que o homólogo chinês, Xi Jinping, lhe daria um “grande e caloroso abraço quando lá chegasse”. Mas, os profundos laços económicos de Pequim com o Irão e as tensões comerciais sobre as ameaças tarifárias que remontam ao primeiro mandato de Trump, poderão arrefecer o clima de camaradagem quando o Presidente dos EUA voar para Pequim – mesmo que tenha elogiado efusivamente Xi durante anos, deixando claro que vê o líder chinês como um concorrente suficientemente forte para merecer respeito e admiração. Trump não gosta de longas viagens de avião nem de longos períodos longe da Casa Branca ou das suas propriedades na Florida e em Nova Jérsia. Haverá muita pompa, mas não se espera que a grandiosidade rivalize com a primeira visita de Trump à China em 2017, que Pequim descreveu como “visita de Estado plus”. “Mesmo antes de toda esta conflagração com o Irão, não iriam fazer uma visita de Estado plus como da última vez, simplesmente porque as coisas estão tensas”, disse Jonathan Czin, antigo director para a China no Conselho de Segurança Nacional durante a administração Biden. Trump ignorou a diplomacia na sua caminhada para a guerra com o Irão. Agora, os seus conselheiros intensificam os apelos à China para que ajude a abrir o Estreito de Ormuz antes da cimeira de Pequim. Ali Wyne, consultor sénior de investigação e defesa de interesses EUA-China do Crisis Group, de Washington, disse que a “delegação chinesa provavelmente fará o seu melhor para garantir que Trump deixe Pequim acreditando que acabou de concluir a visita de Estado mais extraordinária dos seus dois mandatos”. Mas, segundo ele, “a pompa e a circunstância terão um papel diferente agora do que tiveram quando visitou Pequim pela primeira vez”, porque “Xi tem uma compreensão muito melhor de Trump, e a própria estratégia de segurança nacional e de defesa nacional do governo reconhecem a China como um adversário quase equivalente”. As expectativas sobre o que será alcançado podem ser mais baixas desta vez, disse Czin, investigador da Brookings Institution. Prevê que os chineses podem não apresentar grandes avanços no comércio ou qualquer outra área porque estão a “trabalhar de trás para a frente, partindo das nossas eleições intercalares”, com a teoria de que quanto mais perto do dia das eleições, “mais poder negocial terão”. O Partido Republicano está focado em manter o controlo do Congresso, mesmo com as sondagens a indicarem que a maioria dos americanos está descontente com as políticas económicas de Trump e acredita que os EUA foram longe demais em relação ao Irão. Ainda assim, a Casa Branca defende que a postura firme de Trump em relação às tarifas impostas a Pequim – posteriormente derrubadas pelo Supremo Tribunal – significa que os EUA se manterão numa posição forte. Trump “preocupa-se com os resultados, não com os símbolos”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly. “Mas, mesmo assim, o Presidente tem uma óptima relação com o Presidente Xi, e a próxima cimeira em Pequim será significativa tanto simbólica como substancialmente”, refere a Associated Press. Trump pode reunir-se com o líder chinês quatro vezes nos próximos oito meses. Após a visita a Pequim, Trump planeia receber Xi na Casa Branca. Trump poderá também participar na reunião da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) em Novembro, em Shenzhen, na China. E Xi pode comparecer na cimeira do G20 no mês seguinte, no resort de Trump em Doral, na Florida.

 

JTM com agências internacionais