A guerra no Irão aumentou a importância internacional do renminbi, especialmente nos pagamentos do mercado petrolífero, de acordo com o Banco Central Europeu (BCE). O conflito no Médio Oriente pode servir de catalisador para o aumento da importância do renminbi nos mercados petrolíferos globais, refere o relatório do BCE “O Papel Internacional do Euro”. O início da guerra no Irão coincidiu com “um aumento significativo da actividade de liquidação no Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS), que subiu um terço em Março de 2026 em comparação com a média dos 12 meses anteriores”, acrescenta o documento. Alguns navios fizeram pagamentos em renminbi através do sistema CIPS, ou mesmo em bitcoin, para poderem transitar pelo Estreito de Ormuz em Março e Abril. Os pagamentos transfronteiriços realizados pelos bancos chineses em renminbi atingiram um máximo histórico de 1,4 biliões de dólares em Março, um aumento mensal de 30%. A China alterou os regulamentos do sistema de pagamentos CIPS, que permite aos bancos de todo o mundo liquidar os pagamentos em renminbi e é uma alternativa ao SWIFT, do qual os bancos russos e iranianos foram excluídos. Esta alteração permite a liquidação de pagamentos em moedas diferentes do renminbi desde 1 de Fevereiro e contribuiu para o aumento da actividade no CIPS. O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu a 1 de Fevereiro que o renminbi se torne uma moeda de reserva global. A China deseja reforçar o papel internacional da sua moeda, mas o yuan ainda está ligado ao dólar para evitar uma valorização excessiva, uma vez que isso teria um impacto negativo nas exportações. O yuan digital chinês (e-CNY) é a moeda dominante no projecto “mBridge”, plataforma digital para a liquidação de pagamentos transfronteiriços entre a China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. A participação do renminbi como moeda de facturação no comércio com a zona euro e países fora da zona euro é modesta, representando apenas 2% em 2024. Contudo, a utilização do renminbi no comércio com a China tem aumentado significativamente ao longo do tempo. Por exemplo, a quota do renminbi nas exportações francesas para a China subiu de 10% em 2018 para 30% em 2024, enquanto o seu peso nas importações aumentou de 6% para 12%. A dívida soberana da China é a segunda maior do mundo, mas os controlos de capitais da China tornam-na pouco atractiva para os investidores internacionais, segundo o BCE. A participação do renminbi nas reservas internacionais está próxima dos 2%.
JTM com agências internacionais



