O presidente do sindicato dos guardas prisionais rejeitou responsabilidades pelo “motim” no Estabelecimento Prisional de Lisboa, referindo que já ocorreram outras situações similares

 

A Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais “está a aproveitar a situação para atirar a responsabilidade para cima do sindicato e do corpo da guarda prisional, o que é lamentável”, pois “não reconhece que o novo horário criou muitos constrangimentos aos visitantes e aos reclusos visitados”, disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves.

O director dos serviços prisionais, Celso Manata, informou que, durante hora e meia, cerca de 160 a 170 reclusos da Ala B do Estabelecimento Prisional de Lisboa revoltaram-se por não terem visitas, como estava previsto, e amotinaram-se com gritos, colchões e papéis queimados, e algum material partido. De acordo com Celso Manata, os desacatos ficaram revolvidos pouco após as 20:00 (04:00 da madrugada em Macau) e os reclusos foram fechados nas suas celas, não tendo sido necessário recorrer ao Grupo de Intervenção de Segurança Prisional.

Celso Manata frisou que os desacatos se deveram também ao facto de, finalizada a greve de quatro dias dos guardas prisionais, aquele sindicato ter marcado um plenário, inviabilizando novamente as visitas. Na origem da greve que terminou ontem está a contestação ao horário de trabalho e a demora no descongelamento dos escalões, reivindicando também o pagamento do suplemento de turno e a criação de categorias apropriadas, ou seja, de guarda-coordenador e chefe-coordenador.

O dirigente sindical considerou que “é triste” considerar que o plenário está na origem da situação, destacando que “a direcção-geral não invocou o plenário nas últimas vezes quatro ou cinco vezes que a Ala B se amotinou nos últimos meses”. Jorge Alves deu dois exemplos de problemas registados no EPL. “Recentemente não se deixaram fechar e obrigaram a directora vir à cadeia falar com eles a um domingo. Noutro caso, os reclusos foram para o refeitório e vandalizaram a comida toda e partiram algumas coisas. Não é a primeira vez que acontece, agora foi com maior dimensão”, destacou, acrescentando que foram suprimidos dois horários de visita à tarde e distribuídos por outros períodos, o que aumentou o número de visitantes.

 

JTM com Lusa