As Guardas Costeiras do Japão e da China enfrentaram-se ontem perto de ilhas disputadas e cada força afirmou que afastou embarcações do outro país, num contexto de grande tensão diplomática bilateral. A Guarda Costeira japonesa anunciou ter expulsado dois navios chineses que navegavam nas proximidades do arquipélago disputado das Senkaku, no mar do Leste da China, depois de estes se terem aproximado de um barco de pesca japonês. Segundo as autoridades japonesas, quatro navios chineses navegavam na zona, dois dos quais entraram nas águas territoriais reivindicadas por Tóquio, aproximando-se de uma embarcação de pesca japonesa. A Guarda Costeira japonesa ordenou aos navios chineses que abandonassem a área, conseguindo que deixassem as águas territoriais japonesas cerca das 09:20 locais, refere um comunicado, indicando ainda que um navio-patrulha foi destacado para proteger o barco de pesca. Tóquio considerou que as actividades dos navios chineses constituem “uma violação do direito internacional” e garantiu que continuará a actuar “com calma e firmeza”, em conformidade com o direito internacional e a legislação japonesa, para salvaguardar as suas águas territoriais. O incidente ocorreu nas ilhas conhecidas como Senkaku no Japão e Diaoyu na China, um arquipélago desabitado situado entre Taiwan e a ilha japonesa de Okinawa, cuja soberania é disputada pelos dois países. Por sua vez, a Guarda Costeira chinesa anunciou ter expulsado um barco de pesca japonês das mesmas águas. Num comunicado, o porta-voz da Guarda Costeira chinesa, Jiang Lue, afirmou que a embarcação japonesa “entrou ilegalmente” nas águas territoriais da ilha, levando os navios chineses a adoptarem “as medidas de controlo necessárias, em conformidade com a lei”, antes de a expulsarem da zona. Jiang reiterou que as ilhas Diaoyu e os ilhéus adjacentes “fazem parte integrante do território chinês” e instou o Japão a “cessar imediatamente todas as acções de provocação e de violação dos direitos da China” naquelas águas. O responsável acrescentou que Pequim continuará a realizar operações de vigilância e de aplicação da lei em redor do arquipélago para “salvaguardar a soberania territorial” e os direitos e interesses marítimos chineses. O diferendo em torno das ilhas Diaoyu/Senkaku, remonta ao conflito sino-japonês de 1894-1895, após o qual Tóquio assumiu o controlo do arquipélago. Situadas no mar do Leste da China, cerca de 150 quilómetros a nordeste de Taiwan, as ilhas são desabitadas, têm uma área de cerca de sete quilómetros quadrados e acredita-se que as águas circundantes possam albergar importantes reservas de gás natural e petróleo. As tensões sino-japonesas agravaram-se desde Novembro do ano passado, quando a Primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia justificar uma intervenção militar do Japão. Pequim condenou essas declarações, instou os cidadãos chineses a evitarem viajar para o Japão e reforçou restrições comerciais contra algumas empresas japonesas.
JTM com Lusa e agências internacionais



