A empresa Esperança Timor Oan (ETO) iniciou, a leste de Díli, a construção de um parque industrial para promover o desenvolvimento da indústria em Timor-Leste e reduzir a dependência das importações. “A intenção deste investimento não é apenas realizar actividade empresarial, mas reflecte um forte compromisso da ETO em contribuir para a diversificação da economia de Timor-Leste, alinhado com a visão estratégica do Governo para o desenvolvimento económico e o Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional”, afirmou o director-executivo da ETO, Nilton Gusmão. Nilton Gusmão, que falava na cerimónia de lançamento da primeira pedra do Parque Industrial ETO, afirmou que o projecto pretende diversificar a economia ao apostar em sectores produtivos que vão criar empregos para os timorenses. “Acreditamos que, através de investimentos contínuos e estratégicos, é possível construir uma economia mais forte, diversificada e sustentável”, disse o director-executivo da ETO. O grupo vai investir entre 13 e 15 milhões de dólares na construção de cinco unidades industriais, que deverão criar directamente cerca de 700 postos de trabalho e 1.300 empregos indirectos. O parque industrial vai incluir uma fábrica de produção de caixas, uma fábrica de estruturas metálicas do tipo ‘H-Beam’, uma fábrica de sardinha enlatada, um matadouro moderno com unidade de processamento de carne e uma unidade industrial para processamento de arroz. A construção deverá estar concluída em Agosto de 2027. O empresário destacou também que, num momento em que Timor-Leste aderiu à Associação das Nações do Sudeste Asiático, é importante preparar o país para enfrentar a concorrência e aproveitar as oportunidades do mercado regional, que conta com mais de 600 milhões de habitantes. A cerimónia de lançamento contou com a presença de vários membros do Governo, incluindo o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, empresários e representantes de organizações financeiras internacionais.
Moçambique deteve seis funcionários da saúde por desvio de medicamentos
As autoridades da província de Niassa, no norte de Moçambique, detiveram seis funcionários da saúde por suspeitas de envolvimento no desvio de medicamentos e material médico-cirúrgico. “O ponto mais alto foi a captura de dois indivíduos que, neste momento, aguardam julgamento”, disse Cássimo Abudo, administrador de Muembe, citado pelo diário Notícias, apontando os antimaláricos como os fármacos mais desviados naquele distrito. Os seis detidos são dos distritos de Muembe e Mandimba, com o administrador deste último a avançar que os funcionários em causa forneciam os fármacos a proprietários de farmácias privadas. Emídio Xavier apontou os centros de saúde de Mitande e Mississi, em Mandimba, como os que registam frequentemente casos de desvio de medicamentos, tendo também relatado desvio de bolsas de recolha de sangue, o que obrigou ao reforço de medidas de segurança nas unidades de saúde do distrito. Em Janeiro, uma técnica de farmácia foi condenada em Sofala, centro de Moçambique, a 10 meses de prisão por furto agravado de medicamentos, num contexto em que o Governo declarou ‘guerra’ ao contrabando de fármacos. No mesmo mês, o ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, numa menção aos recentes casos conhecidos de roubos de medicamentos nas unidades sanitárias.
Mais 40 espécies migratórias passam a estar protegidas por convenção da ONU
A Convenção para a conservação das espécies migratórias (CMS) da ONU aprovou a inclusão de 40 novas espécies sob protecção internacional, no decurso da sua 15ª reunião (COP15), no Brasil. A lista aprovada na última sessão plenária inclui, nomeadamente, a coruja-das-neves (Bubo scandiacus), que ficou famosa nos filmes da saga Harry Potter, ou o maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), um pássaro de bico longo ameaçado de extinção que percorre 30.000 quilómetros por ano ao longo das Américas. A lista inclui ainda o tubarão-martelo gigante (Sphyrna mokarran) e mamíferos terrestres como a hiena riscada (Hyaena hyaena) ou aquáticos, como a lontra gigante do Brasil (Pteronura brasiliensis). A reunião, que juntou representantes de 133 entidades – 132 países e a União Europeia – decorreu em Campo Grande, no centro oeste do Brasil, no Pantanal brasileiro, uma das zonas mais ricas em biodiversidade do planeta. A Convenção é juridicamente vinculativa, o que significa que estes países têm a obrigação legal de proteger as espécies classificadas como ameaçadas de extinção, de conservar e restaurar os seus habitats, de minimizar os obstáculos à sua migração e de cooperar entre si para alcançar essa preservação. De acordo com um relatório publicado antes da COP15, cerca de metade (49%) de todas as espécies elencadas pela CMS apresentam tendências de declínio populacional, e cerca de um quarto está ameaçada de extinção. Outro relatório alertou para “o colapso” das migrações indispensáveis à sobrevivência das espécies de peixes de água doce como as enguias, provocado pela degradação dos habitats naturais, a sobrepesca ou as barragens. “A Convenção (…) lembra-nos uma mensagem simples, mas poderosa: as migrações são naturais. Ao atravessar os continentes e ligar ecossistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece fronteiras entre Estados”, declarou o presidente brasileiro Lula da Silva, no seu discurso de abertura, há uma semana. “Proteger estes animais é proteger a vida do planeta”, resumiu. O Brasil já acolheu em Novembro de 2025 a COP30, conferência da ONU sobre o clima e alterações climáticas, na cidade amazónica de Belém, no Estado do Pará.
Escala em Lisboa atrasa deportação de antigo ministro moçambicano
A defesa do antigo ministro das Finanças moçambicano Manuel Chang solicitou ao tribunal dos EUA que ordene a “deportação imediata” deste para Moçambique, face à libertação prevista para 26 de Março, por concretizar por problemas na escala em Lisboa. O pedido consta de um requerimento dirigido pela defesa ao juiz Garaufis, do Tribunal do Distrito Leste de Nova Iorque (EDNY), solicitando que “ordene ao ICE que coordene com a defesa para garantir a deportação imediata” e que “esclareça que documentos adicionais são necessários”, se for o caso. “Escrevemos em nome de Manuel Chang para solicitar a assistência do tribunal na facilitação da sua deportação imediata para Moçambique e para garantir que receba a medicação necessária enquanto estiver sob custódia do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos EUA (ICE)”, lê-se no requerimento da defesa, a que a agência Lusa teve acesso. Manuel Chang foi detido e condenado no âmbito do processo das dívidas ocultas, descobertas em 2016 e estimadas em 2,7 mil milhões de dólares, segundo o Ministério Público (MP) moçambicano. O documento recorda que Manuel Chang “deveria ter sido libertado da custódia do Bureau Federal de Prisões (BOP), no estabelecimento FCI Danbury, no dia 26 de Março de 2026”, após cumprimento de pena, e que “antecipando essa data, e tendo em conta que existia uma ordem final de remoção acelerada para Moçambique, os seus advogados coordenaram previamente com o ICE para garantir a sua deportação imediata”. Refere que a embaixada de Moçambique em Washington “emitiu um documento de viagem de emergência”, documento que “foi aceite pelo ICE”, tendo sido adquirido uma viagem para a sua deportação via TAP Air Portugal, com o trajecto Boston – Lisboa – Maputo, que devia ter acontecido na quinta-feira. No dia 26 de Março, após a libertação pelo BOP, Manuel Chang foi transferido para custódia do ICE e levado ao aeroporto de Boston, mas foi “impedido de embarcar” porque o “documento de viagem não tinha sido aprovado pelas autoridades portuguesas, que seriam responsáveis durante a escala em Lisboa”. “Como resultado: Não embarcou; Permanece sob custódia do ICE; Está detido no Plymouth County Correctional Facility (Massachusetts) há cerca de 24 horas. Desde então, os advogados têm tentado coordenar com o ICE para concretizar a deportação, mas sem sucesso”, lê-se no requerimento. Acrescenta que “apesar da colaboração de representantes do Governo, não foi possível organizar a deportação imediata”, nem tão pouco “obter informação clara sobre documentos adicionais necessários”, pelo que a defesa solicita a intervenção do tribunal, recordando que Chang “sofre de vários problemas de saúde”, incluindo doença renal crónica, hipertensão, diabetes e hiperlipidemia, sem receber a medicação necessária. A data de libertação já tinha sido confirmada pelo EDNY ao recusar, em 12 de Fevereiro, o pedido de libertação antecipada por motivos de saúde apresentada pela defesa. Chang, que liderou as finanças de Moçambique de 2005 a 2015, estava detido no estabelecimento prisional federal FCI de Danbury e estava privado da liberdade desde Dezembro de 2018, quando foi detido na África do Sul. Manuel Chang foi condenado no EDNY, em 17 de Janeiro de 2025, a 102 meses (oito anos e meio) de prisão por conspiração para cometer fraude electrónica e branqueamento de capitais no âmbito do caso das dívidas ocultas de Moçambique. A pena foi significativamente reduzida devido aos créditos administrativos atribuídos pelo BOP, que contabilizaram o tempo já passado em prisão preventiva e o bom comportamento enquanto esteve detido. Esses créditos diminuíram a sentença inicial para cerca de 14 meses. Chang foi acusado de aceitar subornos e de conspiração para desviar fundos dos esforços de Moçambique para proteger e expandir as indústrias de gás natural e pesca, num plano para enriquecer e enganar investidores.



