Ruas e estradas da cidade de Xai-Xai, no sul de Moçambique, inundadas e quase desertas na sequência de cheias registadas no país, em Gaza, Moçambique, 30 de janeiro de 2026. Na cidade de Xai-Xai os carros deixaram as ruas, ocupadas por água e barcos a remos, como o puxado pelos gémeos Bila, garantindo o transporte entre cheias há muito não vistas no sul de Moçambique. (ACOMPANHA TEXTO DE 31 DE JANEIRO DE 2026). LUÍSA NHANTUMBO/LUSA
Ruas e estradas da cidade de Xai-Xai, no sul de Moçambique, inundadas e quase desertas na sequência de cheias registadas no país, em Gaza, Moçambique, 30 de janeiro de 2026. Na cidade de Xai-Xai os carros deixaram as ruas, ocupadas por água e barcos a remos, como o puxado pelos gémeos Bila, garantindo o transporte entre cheias há muito não vistas no sul de Moçambique. (ACOMPANHA TEXTO DE 31 DE JANEIRO DE 2026). LUÍSA NHANTUMBO/LUSA

O Governo moçambicano pediu à nova administradora de Xai-Xai “maior transparência” na gestão e distribuição de donativos para vítimas das cheias na província de Gaza, após a detenção da anterior administradora por desvio desses bens. “Exigimos a si, senhora administradora, que assegure maior transparência na gestão e distribuição de donativos, garantindo que cada artigo destinado a apoiar vítimas das cheias chegue aos legítimos beneficiários”, disse o secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto, ao dar posse a Avelina Nhazimo, na capital daquela província do sul.

Pelo menos 10 funcionários públicos, incluindo a antiga administradora do distrito de Xai-Xai, Argelência Chissano, foram detidos na semana passada por desvio de donativos para vítimas de cheias.

Segundo a procuradoria provincial, após as denúncias, foram executados mandados de busca em várias residências na cidade de Xai-Xai e no distrito de Chibuto, onde foram apreendidos diversos produtos, nomeadamente 218 colchões, 41 fardos de roupa usada, 63 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 quilogramas, três caixas de dois litros de óleo vegetal, dois sacos de 50 quilogramas de feijão manteiga.

Na posse de Avelina Nhazimo, o secretário de Estado na província de Gaza pediu-lhe que dê continuidade à assistência às comunidades no processo de retorno às suas residências, sobretudo as mais vulneráveis.

“Para o exercício das suas funções, abstenha-se de todas as práticas nocivas à boa imagem e reputação da máquina administrativa do Estado, abstenha-se e combata sem tréguas a corrupção, o nepotismo e a falta de transparência na gestão da coisa pública, incluindo o favorecimento próprio”, pediu Jaime Neto, garantindo: “Não seremos condescendentes com atitudes e práticas de corrupção, incluindo a priorização de interesses particulares em detrimento do bem comum”.

A nova administradora reconheceu o “momento difícil” no qual assume a função, prometendo “legalidade e transparência”, assim como a “gestão participativa” do bem público.

“Sempre servi ao povo, mas nos bastidores, agora vou servir, vou ter de lidar no meu dia-a-dia com a população, estou para servir, posso dizer que sou soldado do povo”, assumiu Avelina Nhanzimo, à margem da sua tomada de posse.

Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução de riscos de Desastre (INGD, as cheias de Janeiro mataram 27 pessoas e afectaram outras 724.131, sendo a província de Gaza a mais devastada. O número total de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 257, com registo de praticamente 869 mil pessoas afectadas, desde Outubro, segundo o INGD.

Desde Outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano activou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 27 ainda estão activos, com pelo menos 20.297 pessoas.

Ainda na segunda-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia colocou as províncias de Inhambane, Gaza e Maputo, no sul, sob alerta laranja devido à previsão de chuvas moderadas a fortes, trovoadas e ventos fortes.

 

JTM com Lusa