O líder da Reserva Federal dos EUA (Fed, banco central) revelou que a instituição recebeu uma intimação do Departamento de Justiça, uma medida que classificou como parte da campanha de pressão do Presidente Donald Trump sobre as decisões de política monetária. Jerome Powell afirmou num comunicado que a notificação está relacionada com o seu depoimento perante o Senado em Junho, no qual testemunhou sobre um grande projecto de renovação de escritórios da Fed. Mas, desvalorizou eventuais acusações criminais decorrentes do depoimento ou do projecto de reforma, chamando-lhes “pretextos”. “A ameaça de acusações criminais é uma consequência de a Reserva Federal definir as taxas de juro com base na nossa melhor avaliação do que servirá o público, em vez de seguir as preferências do presidente Trump”, frisou. O Presidente norte-americano tem pressionado o banco central para reduzir drasticamente as taxas de juro, uma vez que a inflação se mantém acima da meta de 2%. “Servi na Fed sob quatro administrações, republicanas e democratas. Em cada uma delas, cumpri o meu dever sem medo ou favoritismo político, focado exclusivamente no nosso mandato”, vincou Powell. Trump negou no domingo ter conhecimento da investigação do Departamento de Justiça. “Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom na Fed, e não é muito bom a construir edifícios”, disse Trump sobre Powell após uma entrevista à NBC. O Presidente já tinha acusado a Fed de não respeitar o orçamento para a renovação da sede em Washington, alegando uma possível fraude. Afirmou que o custo total excedeu os 2,7 mil milhões de dólares orçados, ao atingir 3,1 mil milhões, valor que Powell refutou. Desde que regressou à Casa Branca, Trump ameaçou despedir Powell por várias vezes. O mandato do presidente da Fed termina em Maio, o que permitiria a nomeação de um substituto, possivelmente o seu principal conselheiro económico, Kevin Hassett, considerado como favorito pelos analistas. Porém, o cargo poderá permanecer vago “enquanto a investigação estiver em curso”, declarou o senador republicano Thom Tillis, adiantando que não confirmará “nenhuma nomeação para a Fed, incluindo a de presidente, até que esta questão legal esteja totalmente resolvida”. A senadora democrata Elizabeth Warren acusou Trump de tentar “concluir a sua tomada corrupta” do banco central, substituindo Powell por um “fantoche”. Embora o presidente dos EUA indique candidatos para cargos na administração, incluindo os do banco central, estes não podem assumir o cargo até serem confirmados pelo Senado.

 

JTM com agências internacionais