O general na reforma Higino Lopes Carneiro, pré-candidato à presidência do MPLA, foi notificado de uma acusação do Ministério Público por peculato e branqueamento de capitais, anunciou a Procuradoria-Geral da República (PGR). A notificação foi efectuada pelos Serviços do Ministério Público junto da Câmara dos Crimes Comuns do Tribunal Supremo, no âmbito do processo-crime nº 46/19, segundo a PGR.

De acordo com os elementos constantes do processo, descritos no comunicado da PGR, os factos referem-se à utilização indevida de fundos públicos, enquanto governador e gestor de fundos da então província do Cuando-Cubango, destinados ao desenvolvimento social e económico daquela província. Segundo o comunicado, Higino Carneiro terá utilizado esses fundos em benefício próprio na construção e gestão de empreendimentos turísticos e hoteleiros localizados na respectiva província, em prejuízo dos projectos sociais a que se destinavam.

O general na reforma, que apresentou formalmente a sua pretensão de concorrer à presidência do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola, no poder desde 1975) em Abril deste ano, pretende disputar o lugar com o actual presidente do partido e Presidente de Angola, João Lourenço – cuja candidatura foi validada pela subcomissão de candidaturas em 5 de Junho -, e com os militantes José Carlos de Almeida, Valdir Cónego e António Venâncio, também pré-candidatos.

O mandatário da candidatura de Higino Carneiro, Marcos Matos, afirmou, no início do mês, que o processo de recolha de subscrições estava concluído e que a candidatura se encontrava pronta para ser formalizada, sem revelar data de entrega. O prazo para entrega do dossier completo junto da subcomissão de candidaturas termina a 25 de Outubro de 2026.

Em Maio, Higino Carneiro tinha já comparecido no Departamento Nacional de Investigação e Acção Penal, para onde foi notificado no âmbito do processo nº 48/20, por suspeita de peculato e burla qualificada relacionados com a alegada utilização indevida de fundos para aquisição de viaturas quando era governador de Luanda. À saída da PGR, após essa diligência, Higino Carneiro admitiu motivações políticas por detrás da intimação judicial, relacionando a diligência com a sua pretensão de concorrer à liderança do partido.

A PGR reiterou agora o seu “compromisso com a defesa da legalidade, a salvaguarda do interesse público e o respeito pelos princípios do Estado democrático e de direito”, assegurando que todos os processos são conduzidos em estrita observância da Constituição e da lei.

O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para 9 e 10 de Dezembro de 2026, sob o lema “MPLA – Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”.

 

JTM com Lusa