O Standard Bank prevê que o gás natural pode fazer a economia de Moçambique crescer 11 mil milhões de USD por ano, gerar dezenas de milhares de postos de trabalho e render quatro mil milhões em impostos. “As receitas fiscais desempenharão um papel fundamental na redução da dívida soberana e no reforço do investimento público, ao mesmo tempo que impulsionam o crescimento económico”, disse o director executivo do Standard Bank em Moçambique, Bernardo Aparício, numa nota enviada à agência de informação financeira Bloomberg. O projecto de gás natural liquefeito de Rovuma, proposto pela petrolífera Exxon Mobil e cujo início da produção está previsto para 2030, impulsionará o crescimento económico para 4,1% e acrescentará 81 mil milhões de dólares ao fundo soberano de Moçambique até 2056, afirmou a instituição financeira num relatório elaborado em parceria com a consultora Conningarth Economists. O projecto poderá aumentar o rendimento das famílias em 21%, à medida que este país da África Austral avança para se tornar o quarto maior fornecedor mundial de gás, refere-se no relatório citado pela Bloomberg. O projecto de Rovuma requer um investimento estimado em cerca de 30 mil milhões de dólares e está localizado perto do projecto de 20 mil milhões da TotalEnergies, interrompido pela violência ligada ao Estado Islâmico em 2021, tendo sido recentemente reiniciado. Para além disso, a italiana Eni anunciou também planos para construir uma estrutura flutuante de exploração de gás natural liquefeito no valor de 7,2 mil milhões de USD. Este país lusófono africano, o quinto mais pobre do mundo, tem, no entanto, enfrentado dificuldades orçamentais e um problema de sustentabilidade da dívida, tendo interrompido um programa de ajustamento financeiro do Fundo Monetário Internacional no seguimento da violência que se seguiu às eleições do final de 2024, que tiveram um impacto muito forte no crescimento económico.

 

CEDEAO acusada de ingerência com anúncio de referendo à Constituição da Guiné-Bissau

A oposição ao regime na Guiné-Bissau acusa a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) de “inadmissível ingerência” nos assuntos internos ao pronunciar-se sobre a possibilidade de a nova Constituição do país ser submetida ao referendo. Em comunicado divulgado nos órgãos de comunicação social guineense, a directoria da candidatura de Fernando Dias da Costa, que reclama a vitória nas eleições presidenciais de 23 de Novembro passado, manifesta a “sua mais profunda indignação e o seu firme repudio” pelas declarações do chefe da diplomacia da Serra-Leoa, no âmbito de uma missão da CEDEAO a Bissau. No passado dia 26 e citando as autoridades de transição guineense, Timothy Kabba, anunciou que a nova Constituição do país, aprovada pelo Conselho Nacional de Transição, órgão que substitui o parlamento, será submetida a referendo, sem mais pormenores. “É politicamente inaceitável que um representante de um estado irmão da sub-região se tenha arrogado a iniciativa de anunciar a realização de um referendo para a aprovação de uma Constituição promovida pelas actuais autoridades de transição, assumindo um papel que não lhe pertence e que constitui uma inadmissível ingerência num assunto que diz exclusivamente respeito ao povo guineense”, lê-se no comunicado. A directora da campanha de Fernando Dias da Costa considera aquelas declarações do emissário da CEDEAO “incompatíveis com os princípios democráticos proclamados” pela organização e que “contradizem frontalmente” as decisões da cimeira de chefes de Estado e de governo de Dezembro passado, em relação ao golpe de Estado na Guiné-Bissau. “A soberania da Guiné-Bissau não se negoceia, não se delega e não pode ser substituída pela vontade de qualquer emissário estrangeiro. Nenhum representante internacional detém legitimidade para anunciar ou validar processos constitucionais em nome do povo guineense”, assinala-se ainda no comunicado da oposição. Um dia depois das declarações do chefe de missão da CEDEAO, as Forças Armadas Revolucionárias do Povo da Guiné-Bissau anunciaram, nos canais oficiais nas redes sociais, que uma proposta de Lei do Referendo à Constituição da República “foi aprovada por unanimidade” pelos membros do CNT, no dia 26 deste mês.

 

Missão da UE quer que eleições corram bem por São Tomé e Príncipe

O chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia para São Tomé e Príncipe declarou que o objectivo da missão é que tudo corra bem por São Tomé e Príncipe e o seu povo, assegurando reuniões com todos os candidatos. O eurodeputado português Sérgio Humberto, que chefia a missão, falava à imprensa no final do encontro com o candidato Nito D’Abreu, adiantando que terá encontros com todos os candidatos e várias instituições, quando será feita a apresentação pública da missão. Questionado sobre a precisão quanto à situação política e do país, Sérgio Humberto disse que “é muito precoce ainda” fazer tal avaliação, tendo em conta que chegou ao arquipélago no domingo e ainda se reunirá com várias partes envolvidas. “Nós vamos ter questões, ouvir opiniões de todas as candidaturas, de instituições, de organizações públicas, do povo, da sociedade civil. É muito importante, nós estamos aqui para escutar”, disse. “Eu acho que isso é muito importante no momento eleitoral, saber ouvir, ter moderação, ser moderado, ser consciente. É isso que o povo nos pede e é isso que nós vamos fazer”, declarou o chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE_UE) em São Tomé e Príncipe. Segundo um comunicado do Serviço de Acção Eterna da UE, a Alta Representante para a Política Externa da UE, Kaja Kallas, nomeou Sérgio Humberto como chefe da missão de observação, enviada a convite das autoridades são-tomenses, para as eleições presidenciais, em 19 de Julho, e também para a das legislativas, marcadas para 27 de Setembro. É a segunda vez desde 2022 que a UE destaca uma missão de observação eleitoral para o país.

 

Oferta de divisas subiu 23% e estabilizou mercado cambial angolano

Analistas do Banco Millennium Atlântico destacaram o aumento da oferta de divisas no mercado angolano, de mais de 23% até Maio face ao período homólogo, contribuindo para estabilizar o mercado cambial. A oferta de divisas totalizou 5,7 mil milhões de dólares até Maio de 2026, representando um incremento de 23,43% face ao período homólogo, indica uma nota de análise do Banco Millennium Atlântico (BMA).Segundo os analistas, o mercado cambial angolano tem vivenciado, ao longo de 2026, “um período de crescimento relevante na oferta de divisas”, num contexto marcado por factores externos favoráveis e por maior capacidade interna de mobilização de recursos em moeda estrangeira. Esta evolução tem sido influenciada, “em grande medida”, pelo incremento do preço do petróleo no mercado internacional, em consequência das tensões no Médio Oriente, melhor capacidade de obtenção de moeda estrangeira por parte do Ministério das Finanças e pela manutenção de “níveis confortáveis” das reservas internacionais. Os analistas do BMA referem ainda que esses factores possibilitaram intervenções pontuais do Banco Nacional de Angola (BNA) no mercado cambial, “sempre que necessário para assegurar maior equilíbrio”. Neste cenário, a oferta de divisas no mercado angolano, medida pelo volume de compras pelos bancos comerciais, totalizou 5.749,65 milhões de dólares até Maio, representando um incremento de 23,43% comparativamente ao período homólogo, refere-se. Os analistas referem que, neste período, o BNA disponibilizou ao mercado 293,94 milhões de dólares, “um aumento expressivo” de 371,87%, o Tesouro Nacional com um crescimento de 86,24% para mais de 1,3 mil milhões de dólares e os clientes diversos, cuja oferta aumentou para 1,537 mil milhões de dólares. “Os dados evidenciam uma maior diversificação das fontes de divisas, reduzindo parcialmente a dependência exclusiva do sector petrolífero”, lê-se na nota.

 

Festival cabo-verdiano Kontornu abre candidaturas para edição de 2027

O festival cabo-verdiano Kontornu abriu candidaturas para artistas e companhias participarem na 5ª edição, marcada de 10 a 15 de Maio de 2027, na ilha de Santiago, anunciou a organização. A organização ambiciona posicionar o festival “como uma plataforma fundamental de criação, circulação e intercâmbio artístico”, ligando criadores locais e internacionais ao público. As candidaturas decorrem até 30 de Julho de 2026 e destinam-se a artistas, bailarinos, coreógrafos, companhias e colectivos artísticos, nas áreas da dança, teatro, circo contemporâneo, obras interdisciplinares e outras artes. A edição de 2027 estará centrada na “formação e no desenvolvimento de novos públicos”, prevendo a organização que “cerca de 80% da programação decorra em espaços não convencionais, como escolas, universidades, praças, mercados, centros comunitários e edifícios históricos”. Serão valorizadas propostas “com estrutura técnica simples e reduzida”, com duração “entre 20 e 25 minutos, seguidas de um momento de partilha ou interacção directa com o público”. Segundo nota de imprensa, o festival, por ser um projecto independente e devido a limitações financeiras, “não poderá garantir ‘cachets’ de participação”, mas assegura aos seleccionados “visibilidade, integração em redes artísticas, acesso gratuito à programação e oportunidades de intercâmbio com profissionais e curadores convidados”. Os resultados da convocatória serão comunicados até 15 de Agosto de 2026. A última edição decorreu em Maio, reunindo cerca de 80 participantes de países como Portugal, Brasil, Espanha e Senegal, com espectáculos na Praia, Cidade Velha e Tarrafal e residências artísticas para uma nova geração de artistas e programadores culturais.