A candidata de direita Keiko Fujimori garantiu uma margem suficiente para vencer a segunda volta das eleições presidenciais no Peru, depois de a justiça ter rejeitado um pedido do esquerdista Roberto Sánchez para anular os votos do estrangeiro. Com 99,8% dos votos apurados, Fujimori, filha do ex-Presidente Alberto Fujimori (1990-2000), tem 50,11% dos votos válidos, contra 49,88% de Sánchez, uma margem estreita de 43.386 votos que já não pode ser revertida, uma vez que faltam contabilizar cerca de 26.200. As percentagens da contagem invertiam-se caso fossem excluídos os votos do estrangeiro, dando a Sánchez 50,11%. O líder do partido Juntos pelo Peru afirma que a votação foi “seriamente” comprometida pela isenção dos consulados da transmissão digital dos resultados da votação no estrangeiro, obrigando-os a enviar fisicamente as actas de apuramento para Lima, a pedido do Ministério dos Negócios Estrangeiros, chefiado pelo Ministro Carlos Pareja, considerado próximo do ‘fujimorismo’. Além disso, o candidato que concorreu em nome do ex-Presidente Pedro Castillo (2021-2022), actualmente detido, denunciou que a transferência das actas de apuramento para Lima teria sido realizada sem garantias para evitar manipulações. “Esta grave irregularidade configura uma fraude em curso, pois os votos depositados pelos consulados ainda estão a ser contabilizados. Acreditamos que a Junta Nacional Eleitoral (JNE) deve interromper esta acção, pois viola a inviolabilidade do regulamento eleitoral”, disse Sánchez. “Nestas condições de transgressão das regras, não reconheceremos o governo da senhora Fujimori”, acrescentou, apelando à mobilização nas ruas “para defender a democracia e não tolerar mais cinco anos de captura da democracia e das instituições”. Em resposta, Luis Galarreta, primeiro candidato a vice-presidente pelo partido de Fujimori, Força Popular, afirmou que o candidato de esquerda demonstrou “ser antidemocrático”. Galarreta instou as autoridades eleitorais a agilizarem a divulgação da contagem final, advertindo que o atraso abre espaço para posições como a de Sánchez e apontando que o candidato de esquerda “está em negação”. Por sua vez, a organização civil Transparência rejeitou categoricamente as acusações de fraude sem provas e qualquer anúncio de desconsideração dos resultados oficiais da eleição. Reiterou que, com base na sua observação eleitoral no dia da segunda volta, que incluiu mais de 10 cidades no estrangeiro, “não encontrou nenhuma situação que comprometesse a integridade da eleição”. Os resultados oficiais serão divulgados dentro de alguns dias, informou na terça-feira à AFP um porta-voz da JNE.
JTM com agências internacionais



