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Cerca de 900 municípios japoneses poderão desaparecer do mapa até 2040 devido à queda crónica da população, agravada pelas baixas taxas de natalidade, indicam estimativas oficiais

 

Um relatório de uma subcomissão do Conselho de Política do Japão adverte que quase metade dos municípios de todo o país poderão ter dificuldades para continuar a operar normalmente até 2040 devido às quebras constantes da população. Segundo a BBC, o estudo deu especial atenção ao universo populacional formado por mulheres com idades compreendidas entre os 20 e 39 anos, pois são consideradas um factor-chave para determinar o futuro da população japonesa.

Liderado pelo ex-ministro de Assuntos Internos, Hiroya Masuda, o grupo de trabalho definiu cidades, vilas e aldeias cujas populações provavelmente diminuirão em pelo menos 50% entre 2010 e 2040. Investigadores da comissão explicaram à BBC que a estimativa foi feita com base em várias estatísticas do Instituto Nacional de População e Pesquisa da Segurança Social, sendo que, no total, 896 municípios, ou 49,8% do total do país, foram indicados como locais que podem desaparecer.

O estudo alerta também para o facto de 523 localidades com menos de 10 mil habitantes – o que representa cerca de 30% do total – revelarem uma alta propensão para “quebras” populacionais nas próximas décadas, caso não sejam implementadas medidas eficazes.

Entre esses municípios está Onjuku, cidade balnear da província de Chiba com cerca de 7.500 habitantes que se enche de visitantes durante os meses de Julho a Agosto, auge da estação mais quente no Japão.

Isamu Yoshida, 65, proprietário de uma loja, não se entusiasma com as vendas no Verão e teme pelo futuro de Onjuku. “É triste ver a cidade a definhar aos poucos. Todos os meses vemos no jornal local que o número de mortes é sempre maior do que o de nascimentos”, lamentou à BBC.

Estatísticas oficiais indicam que a população de Onjuku diminui em média 0,5% por ano. Em 1995, a população era de 8.129 pessoas, mas em 2013 caiu para 7.632. Se continuar a este ritmo, em 50 anos a população local limitar-se-á a pouco mais de 2.500 pessoas.

“Infelizmente, esse problema tem sido ignorado há muito tempo, porque ninguém quer falar sobre um futuro desfavorável. Agora, nós (japoneses) devemos reconhecer essa grave questão”, comentou uma fonte da subcomissão.

Em contrapartida, a população nas grandes cidades tem aumentado, o que sugere que os japoneses estão a deixar os pequenos municípios, onde quase não há ofertas de emprego.

Kazuya Shiton, 25 anos, revelou que está a planear deixar a casa dos pais, em Onjuku, para procurar um emprego melhor em Tóquio ou noutra grande cidade. “Aqui também não há locais de lazer para os jovens. Todos os meus amigos já se mudaram para outras cidades. Não vejo outra saída”, disse.

Para a subcomissão do Conselho de Política do Japão, o problema mais grave é que muitos destes jovens que vão para a capital japonesa não têm filhos. “Criar uma criança num ambiente como Tóquio é muito caro. Além da dificuldade de encontrar creches, a assistência é escassa para os pais, o que contribui para a baixa taxa de natalidade verificada na capital japonesa”, explicou a fonte da subcomissão.

Para tentar resolver o problema, o Governo japonês deverá anunciar em Setembro a criação de uma comissão para tratar exclusivamente da regeneração de cidades do interior, focando-se principalmente na criação de postos de trabalho para jovens e no aumento da taxa de natalidade.