As importações chinesas provenientes de África aceleraram em Maio e Junho, após Pequim alargar o regime de zero taxas a quase todo o continente, impulsionadas pelos minerais críticos e pela entrada de novos produtos agrícolas africanos. A partir de 1 de Maio, Pequim passou a aplicar zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes dos 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, alargando um regime que anteriormente abrangia apenas 33 países. A medida, válida até Abril de 2028, passou a incluir economias como a África do Sul, Egipto, Nigéria, Argélia e Quénia. O aumento das importações continua a ser liderado pelos recursos minerais, numa altura em que a China procura garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais para a produção de baterias, semicondutores, centros de dados e outras indústrias ligadas à inteligência artificial. As compras de cobre bruto proveniente de África subiram mais de 110% em Maio para 1,65 mil milhões de dólares. As importações de platina, espodumena – mineral utilizado na produção de baterias de lítio – e pó de ródio também registaram fortes subidas. As importações de petróleo bruto africano cresceram 21%, para 3,11 mil milhões de dólares, mantendo-se como a principal categoria de importações chinesas provenientes do continente, num período marcado pelas perturbações no abastecimento através do Estreito de Ormuz, na sequência do conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irão. O novo regime tarifário parece estar também a favorecer a diversificação das exportações africanas. Segundo dados das alfândegas chinesas, as importações de amendoim descascado multiplicaram-se por 15 em Maio, para 13,68 milhões de dólares, enquanto as de óleo de amendoim virgem aumentaram mais de 30 vezes e as de soja não geneticamente modificada mais de oito vezes. As compras de café e maçãs africanas cresceram 52% e 85%, respectivamente, enquanto as importações de açúcar ultrapassaram um milhão de dólares, face a um nível residual registado em Maio de 2025. A China começou ainda a importar em escala comercial alguns produtos africanos que praticamente não figuravam nas estatísticas anteriores, entre os quais açúcar de cana, choco congelado, cravinho e sementes de orquídea. O alargamento do regime de zero tarifas é visto como parte da estratégia de Pequim para reduzir o défice comercial africano nas relações bilaterais e reforçar os laços com o chamado Sul Global, numa altura de crescente proteccionismo internacional e de agravamento das tensões comerciais com os EUA. O comércio entre a China e África atingiu um máximo histórico de 348 mil milhões de dólares em 2025. No entanto, o crescimento manteve-se desequilibrado: as exportações chinesas para África aumentaram 25,8%, para 225 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes do continente cresceram apenas cerca de 5%, para 123 mil milhões de dólares.



