O ex-primeiro-ministro são-tomense Jorge Bom Jesus desistiu da candidatura às eleições presidenciais de 19 de Julho, alegando uma “avalanche de inverdades criminosas” e clima de “divisão e crispação política” na declaração que entregou ao Tribunal Constitucional. “Esta decisão foi tomada após profunda reflexão e ponderação responsável sobre as circunstâncias políticas actuais, sendo motivada por razões de natureza pessoal e pela firme convicção de que, diante de toda a avalanche de inverdades criminosas que têm sido difundidas e do clima de desconfiança que se instalou no país, a defesa do meu bom nome e da minha honra e a salvaguarda da integridade física e moral da minha família e de todos os meus apoiantes, devem prevalecer sobre quaisquer outras aspirações por mais legítimas que sejam”, lê-se na declaração. Reconhece que a desistência acontece “fora do prazo estabelecido” na lei eleitoral que prevê admissão de desistência “até 24 horas antes da data de abertura do sorteio para a ordem de posição de cada candidatura ou candidato no boletim de voto”. No entanto o seu mandatário, Gilson Leite, justificou a entrega da carta sublinhando que daqui para frente Jorge Bom Jesus “já não se apresentará ao eleitorado como candidato, não fará campanha, não estará em comícios, não estará em reuniões de sensibilização de apoio à sua candidatura”. Há uma semana, Jorge Bom Jesus reafirmou que era candidato às eleições presidenciais 19 de Julho, desmentindo o seu partido, que havia anunciado a sua desistência, declarando apoio à recandidatura do actual Presidente, Carlos Vila Nova. Na altura, confirmou que se reuniu com a direcção do MLSTP e com várias candidaturas, incluindo a de Carlos Vila Nova, para abordar assuntos ligados às eleições, incluindo questões financeiras, mas rejeitou qualquer recebimento ou desistência. No mesmo dia, o presidente do MLSTP, Américo Barros, lamentou o comportamento de Jorge Bom Jesus, garantindo que tinha como provar que o ex-primeiro-ministro declarou que iria desistir da sua candidatura, esperando que ele viesse a redimir-se publicamente. Com a desistência de Jorge Bom Jesus, restam quatro candidatos às presidenciais, nomeadamente Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, e Carlos Manuel Vila Nova que é recandidato ao cargo.
Dili e Lisboa reforçam cooperação eleitoral e modernização administrativa
Portugal e Timor-Leste assinaram, em Lisboa, dois acordos de cooperação para a administração eleitoral e gestão dos processos eleitorais e para a simplificação e modernização administrativa, anunciou o Ministério da Administração Estatal timorense. O acordo de cooperação centrado na organização do sector da administração eleitoral e na gestão dos processos eleitorais foi assinado após uma reunião entre o ministro da Administração Estatal de Timor-Leste, Tomás Cabral, e o ministro da Administração Interna, Luís Neves. O documento visa “aprofundar a cooperação institucional, promover a partilha de conhecimentos técnicos e reforçar a capacidade de ambos os países numa área considerada fundamental para o fortalecimento das instituições democráticas”, salienta a informação disponibilizada pelas autoridades timorenses. “O acordo de cooperação representa um passo significativo no aprofundamento das relações entre Portugal e Timor-Leste, reforçando a cooperação bilateral e o compromisso comum com a realização de processos eleitorais transparentes, eficientes e orientados para os cidadãos”, acrescenta. Relativamente às áreas da simplificação e modernização administrativa, o acordo assinado entre o ministro da Administração Estatal timorense e o ministro-adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, visa modernizar os serviços públicos, reforçar a transformação digital e melhorar a eficiência e acessibilidade do serviço prestado aos cidadãos.
Angola aprova plano para implementar acordo de comércio livre em África
O Governo de Angola aprovou a estratégia nacional e o plano de acção para implementar a Zona de Comércio Livre Continental Africana, considerando que o país está especialmente bem colocado para beneficiar dos efeitos da iniciativa. “É evidente que a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA, na sigla em inglês) não é meramente um acordo comercial, mas sim o projecto de integração económica mais ambicioso do nosso continente, concretizando um dos objectivos da Agenda 2063: A África que Queremos”, disse o ministro da Indústria e do Comércio angolano, Rui Miguens de Oliveira, num comunicado enviado, no final de uma reunião, pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA). A reunião, que juntou o Governo angolano, vários parceiros internacionais e a UNECA, concluiu um processo iniciado em Setembro de 2025 sobre a aplicação do AfCFTA em Angola e é “um passo decisivo no sentido de aproveitar o comércio intra-africano para acelerar a agenda de diversificação económica e industrialização do país”. Para o governante angolano, “os recursos abundantes de Angola, a sua população jovem e dinâmica e a sua localização estratégica colocam o país em posição de beneficiar significativamente da expansão do comércio regional”. No entanto, ressalvou, é preciso “uma estratégia clara, abrangente e exequível para tirar pleno partido destas vantagens”. Os principais objectivos do plano incluem o reforço das capacidades produtivas, o desenvolvimento de cadeias de valor regionais, o aumento da participação das empresas nacionais nos mercados regionais e a garantia de que os benefícios cheguem às mulheres, aos jovens e a outros grupos vulneráveis neste país africano lusófono. “A implementação bem-sucedida desta estratégia não só reforçará a posição de Angola no mercado regional, como também promoverá uma economia africana mais resiliente e interligada”, afirmou o embaixador do Canadá em Angola, Anderson Blanc, país que financiou o encontro e tem apoiado o país na implementação do AfCFTA. “Os debates sublinharam o papel central do sector privado como catalisador para uma implementação bem-sucedida e a necessidade de mecanismos de coordenação claros entre o Governo, o sector privado e a sociedade civil, a fim de garantir uma execução inclusiva e orientada para os resultados”, diz a UNECA. Os próximos passos, conclui, incluem a finalização do Plano de Acção, a criação de estruturas de coordenação e a mobilização de apoio técnico e financeiro de parceiros nacionais e internacionais.
Professores detidos por suspeitas de venda de drogas em escolas em Nampula
Pelo menos sete professores dos distritos de Angoche, Lalaua e Nampula, no norte de Moçambique, estão detidos por suspeitas de envolvimento na venda de drogas em escolas, anunciou o director de Educação na província de Nampula. “Já conseguimos, através dos nossos órgãos de justiça e da PRM [Polícia da República de Moçambique], deter sete professores dos distritos de Angoche, Lalaua e Nampula por conta desta problemática da droga nas nossas escolas”, disse William Tunzine, durante uma conferência de imprensa na província de Nampula. Os suspeitos pertencem a diferentes níveis de ensino, entre os quais primário, secundário e básico, avançou o director de Educação em Nampula, acrescentando que parte dos casos já reúnem provas suficientes para justificar a detenção dos professores. William Tunzine avançou que correm processos criminais contra os professores e também processos disciplinares instaurados pelo sector. “Nós, como Educação, já estamos a tramitar processos disciplinares que culminarão com a expulsão destes colegas”, declarou o director, referindo que a medida visa proteger os alunos e assegurar que os estabelecimentos de ensino permaneçam espaços seguros para a aprendizagem e que a escola “não seja palco de venda e consumo de drogas”. O responsável afirmou que o sector não vai tolerar práticas que coloquem em risco o futuro dos alunos, referindo que se está a trabalhar “a todo o gás” junto das escolas e serviços sociais para travar o problema. “Não queremos que droguem as nossas crianças. Não queremos que estraguem as nossas crianças. Nós queremos criar um futuro risonho para as nossas crianças (…). Queremos que não haja vendas e muito menos consumo de drogas dentro das nossas escolas na província de Nampula”, disse. De acordo com o relatório Anual sobre a Evolução do Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), Moçambique apreendeu, em 2025, mais de quatro toneladas de diversas drogas, destacando-se a heroína, a cocaína, e a canábis sativa. Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor de trânsito para o tráfico internacional de estupefacientes com destino à Europa e EUA, sobretudo de heroína oriunda da Ásia, mas as apreensões de cocaína oriunda da América do Sul têm também aumentado.



