A Europa e o Canadá apresentaram uma frente unida durante um importante encontro diplomático na Arménia, determinados a estreitar laços num mundo abalado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. “Não acreditamos que estejamos condenados a submeter-nos a um mundo mais transacional, insular e brutal”, disse o Primeiro-Ministro canadiano, Mark Carney, na abertura da cimeira da Comunidade Política Europeia em Yerevan, na primeira vez em que um líder não europeu foi convidado para este fórum informal que reúne quase todos os países europeus duas vezes por ano, com excepção da Rússia e Bielorrússia. “Encontros como este abrem um novo caminho para nós”, disse o chefe de Governo canadiano, que nos últimos meses se tornou a figura mais visível de uma aliança de “potências médias” contra “potências hegemónicas” como os EUA e a China. O encontro realizou-se após Trump ter decidido retirar 5.000 soldados americanos da Alemanha e ameaçado a UE com novas tarifas alfandegárias. Em Erevan, o presidente do Conselho Europeu saudou “o forte e crescente alinhamento entre a Europa e o Canadá”, considerando a presença de Carney como “politicamente muito significativa”. António Costa enfatizou que “a forma europeia de fazer as coisas, através da diplomacia, do multilateralismo e do respeito pelo direito internacional, produz resultados”. “No actual contexto geopolítico, torna-se cada vez mais claro que o nosso continente precisa de uma visão de segurança de 360 graus”, disse, acrescentando que o apoio dos países não europeus é essencial. Para Costa, o que está a acontecer no Irão é um “forte lembrete de que uma guerra na fronteira com a Europa tem um impacto directo na nossa segurança partilhada, no nosso fornecimento de energia e na nossa economia”. Por sua vez, o Presidente francês sublinhou que “hoje estamos a pagar o preço pela nossa excessiva dependência da protecção oferecida pelos EUA em matéria de defesa e segurança”. “Se Mark (Carney) também está presente, é porque se sente cada vez mais próximo dos europeus, porque estamos todos juntos nisso e porque acreditamos que é necessário que estejamos”, comentou Emmanuel Macron. Os europeus também se comprometeram a reforçar as suas próprias capacidades de defesa. A retirada das tropas americanas da Alemanha “demonstra que devemos realmente fortalecer o pilar europeu da NATO e que devemos fazer mais”, afirmou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. O apoio à Ucrânia foi outro tema central da reunião em Yerevan, com os europeus a assumirem o financiamento do esforço de guerra de Kiev, substituindo os americanos, com um empréstimo de 90 mil milhões de euros aprovado em Abril.
JTM com agências internacionais



