Um estudo do “Pew Research Center” indica que, pela primeira vez, mais pessoas têm uma visão menos favorável dos EUA do que da China em 25 dos 36 países e territórios incluídos. A opinião sobre o líder chinês, Xi Jinping, é mais positiva do que do Presidente americano, Donald Trump, em 22 dos territórios inquiridos, entre os quais Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, apesar de a confiança da maioria das respectivas populações em ambos os chefes de Estado ser reduzida. Nos cerca de 20 anos em que o “Pew” monitoriza a opinião global, é a primeira vez que a China é vista de forma mais positiva do que os EUA, afirmou Laura Silver, investigadora envolvida no estudo realizado entre Fevereiro e Maio pela instituição sediada em Washington. As perspectivas acerca de Pequim e Washington já foram muito semelhantes em alguns momentos do passado, mas nunca tinham sido substancialmente mais favoráveis à China, acrescentou. A directora da unidade de investigação em Atitudes Globais do “Pew” referiu que a imagem global dos EUA se tem deteriorado na sequência da guerra movida contra o Irão, em conjunto com Israel. “Houve uma relação factual entre a eclosão da guerra e a sensação de que os EUA não estão a contribuir para a paz e a estabilidade, além de uma menor confiança das pessoas em Donald Trump”, argumentou. As exigências de Trump sobre o eventual controlo da Gronelândia, a operação militar que capturou o anterior líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em Janeiro, e a forma como o líder dos EUA tem lidado com a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza também contribuíram para a visão pouco positiva dos americanos em vários países, detalhou. A China, pelo contrário, está a beneficiar do facto de a memória da pandemia se estar a dissipar e é vista como “uma parceira muito mais fiável em muitos lugares”, no sentido de contribuir para “a paz e a estabilidade globais”. O Canadá é um dos países onde a opinião pública face aos EUA mais se alterou, já que a percentagem de habitantes com visão positiva do país vizinho caiu de 57% em 2023 para 33% em 2026, após Trump ter imposto tarifas a produtos canadianos em 2025 e afirmar que o território se poderia tornar o “51º estado norte-americano”. Já a opinião favorável à China subiu de 14% para 44% em solo canadiano. França, Alemanha, Espanha, Itália, Suécia e Países Baixos também mudaram de opinião, enquanto os britânicos têm hoje uma visão semelhante sobre os dois países, num contraste com 2023, altura em que 60% tinham uma opinião favorável dos EUA e 28% atribuíam um olhar positivo à China. Entre os seis países onde a população tem uma visão mais favorável dos EUA, Israel destaca-se, com 80% dos inquiridos a verem os norte-americanos de forma positiva, em comparação com os 19% com opinião semelhante da China. Também o Japão, a Índia, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Polónia têm uma visão mais favorável dos EUA do que da China, embora essa percentagem tenha diminuído. Os inquiridos consideram que o Governo norte-americano respeita mais as liberdades individuais do que o chinês, embora a diferença esteja a diminuir, esclarece o relatório. O “Pew” entrevistou mais de 42 mil pessoas em 35 países, além da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, com as margens de erro a variarem entre 2,3 e 5,5 pontos percentuais, dependendo do país.
JTM com Lusa



