Após as operações militares contra alvos na Síria, realizadas em coordenação com a França e Reino Unido, Washington advertiu que voltará a atacar caso Damasco insista em usar armas químicas. Pequim e Moscovo condenaram o ataque

 

Donald Trump recorreu ao “Twitter” para elogiar os ataques “perfeitamente executados” por forças americanas, francesas e britânicas contra instalações sírias pelo alegado uso de armas químicas há uma semana em Duma. “Missão cumprida!”, exclamou o Presidente americano, agradecendo a participação da França e do Reino Unido “pela sua sabedoria e pelo poderio dos seus excelentes militares”.

Reunido com carácter de emergência, o Conselho de Segurança da ONU rejeitou um projecto de declaração apresentado pela Rússia, que exigia uma condenação aos ataques dos três países ocidentais.

Na reunião, o secretário-geral da ONU apelou para que se evite que a situação na Síria fique “fora de controle” e isso “piore o sofrimento do povo sírio”. “Peço a todos os Estados-membros para que mostrem moderação nestas perigosas circunstâncias”, exortou António Guterres.

No entanto, a embaixadora dos EUA afirmou que os ataques com uma centena de mísseis se justificavam pelo uso de armas químicas em Duma, e assegurou que Washington está disposto a tomar novas acções do género caso seja necessário. “Se o regime sírio usar seus gases venenosos novamente, os EUA estarão carregados e engatilhados”, advertiu Nikki Haley, frisando que Washington está “preparado para manter essa pressão, se o regime sírio for suficientemente tolo para testar a nossa determinação”.

A Rússia tinha apresentado um projecto de resolução que condenava os ataques por considerá-los uma “violação do direito internacional e da carta da ONU”, porém, a proposta fracassou. “O Conselho de Segurança está numa situação de paralisia por causa de vocês”, apontou o embaixador russo na ONU, Vasili Nebenzia, referindo-se aos três países que participaram dos ataques.

Em Damasco, o presidente Bashar Al Assad afirmou que essa “agressão” não faz mais do que “reforçar a sua determinação de continuar a lutar e derrotar o terrorismo”, termo que usa para designar os rebeldes. No Irão, o guia supremo Ali Khamenei classificou mesmo como “criminosos” os governantes dos EUA, França e Reino Unido.

 

China condena, Japão apoia

A China criticou o ataque, por considerar que viola a Carta das Nações Unidas. “Qualquer acção militar unilateral sem o aval do Conselho de Segurança é contrária aos propósitos e princípios da Carta da ONU e viola os princípios e normas básicas do direito internacional”, afirmou em comunicado uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Este ataque “também acrescenta factores novos e complicados para a solução da questão síria”, acrescentou Hua Chunying. “Nós opomo-nos ao uso da força nas relações internacionais e apoiamos o respeito pela soberania, a independência e a integridade territorial de todos os países”, disse.

Posição bem distinta foi assumida pelo Primeiro-ministro japonês. “O uso de armas químicas é extremamente desumano e o nosso país não pode consentir nem o seu uso nem a sua difusão. Por isso o meu governo apoiará os EUA, Reino Unido e Franla”, assegurou Shinzo Abe, em declarações aos jornalistas.

 

JTM com agências internacionais