Os Estados Unidos mobilizaram um submarino nuclear para a península coreana, onde se juntará ao porta-aviões Carl Vinson, no que pretende ser uma nova demonstração de força perante Pyongyang

 

Equipado com mísseis guiados, o submarino de propulsão nuclear “USS Michigan” chegou ontem ao porto de Busan, no sudeste da Coreia do Sul. “O submarino dedicará o dia a trabalhos de provisão e logística antes de se unir às manobras que o Carl Vinson que a marinha sul-coreana prevê realizar no final da semana no Mar do Leste (nome que se a dá na Coreia ao Mar de Japão)”, indicou um porta-voz da Defesa de Seul.

A chegada do “USS Michigan” coincidiu com a comemoração do 85° aniversário do exército norte-coreano, efeméride que Pyongyang festejou com o que poderá ter sido o seu maior exercício de artilharia até à data, desdobrando entre 300 e 400 peças perto da sua costa oriental. Segundo a agência sul-coreana Yonhap, o líder Kim Jong-un terá participado nas manobras, nas quais foi testada artilharia de longo alcance.

Enquanto o Presidente dos EUA, Donald Trump – cuja administração insinuou a possibilidade de atacar preventivamente a Coreia do Norte – tem endurecido o tom, Pyongyang não se fica atrás ameaçando responder a qualquer ataque com o seu arsenal atómico. “Se os EUA e os belicistas realizarem um ataque preventivo imprudente, faremos o mais brutal dos castigos”, clamou ontem um editorial do “Rodong Sinmun”, principal jornal do regime.

Também ontem, diplomatas de Japão, Coreia do Sul e EUA concordaram em coordenar estreitamente “todas as acções” diplomáticas, militares e económicas contra a Coreia do Norte. Na reunião em Tóquio, o sul-coreano Kim Hong-kyun, o japonês Kenji Kanasugi e o americano Joseph Yun discutiram formas de lidar com o regime norte-coreano.

“Advertiremos veemente a Coreia do Norte para que pare com as provocações estratégicas, mas tomaremos medidas punitivas fortes que o Norte não poderá suportar caso não cumpra”, disse Hong-kyun, recusando entrar em detalhes.

Os três representantes também concordaram em instar a China a exercer mais influência para travar os programas nucleares e de mísseis de Pyongyang.

 

Pequim mantém diálogo com Pyongyang

Por sua vez, a China disse que o seu canal diplomático com a Coreia do Norte “continua aberto” e o intercâmbio entre ambos os países decorre com normalidade. “Pequim continua a apelar a ambas as partes que não empreendam nenhuma acção que eleve as tensões”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Geng Shuang.

Geng disse que alguns jornalistas pareciam “decepcionados” com o facto de a Coreia do Norte não ter realizado até ao momento um novo teste nuclear.

O negociador chinês para a questão norte-coreana, Wu Dawei, viajou ontem para o Japão para abordar a crise na península coreana com as autoridades japonesas, afirmou Geng. “Esperamos que todas as partes envolvidas, incluindo o Japão, desempenhem um papel responsável na resolução do conflito”, assinalou o porta-voz.

Antes, o “Global Times”, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês (PCC), advertira a Coreia do Norte de que entrará num “ponto sem retorno” se efectuar novo teste nuclear. Todas as partes “assumirão as consequências”, mas será Pyongyang a “sofrer as maiores perdas”, considerou o jornal, ao antecipar “sanções sem precedentes” da ONU e um ataque lançado por Washington contra instalações militares e nucleares norte-coreanas, forçando o país a “tomar uma decisão de vida ou morte”.

A Air China, única companhia aérea chinesa com voos regulares para a Coreia do Norte, anunciou entretanto que retomará a ligação entre Pequim e Pyongyang a 5 de Maio, após uma paragem de três semanas.

 

JTM com agências internacionais