No Centro de Demonstração de Inovação em Ciência Cérebro-Computador, no distrito de Yuhang (Hangzhou), um funcionário da empresa de neurotecnologia BrainCo usa uma mão biónica inteligente para segurar um pincel e escrever com tinta. Por trás disto está a tecnologia de interface cérebro-computador não invasiva da BrainCo. Com preços que variam entre um quinto e um sétimo dos produtos estrangeiros comparáveis, as mãos biónicas reflectem a forma como as empresas privadas chinesas estão a traduzir as tecnologias de ponta numa utilização prática e em mercados mais vastos. “As mãos hábeis da BrainCo já foram adoptadas por várias empresas de robôs humanoides, tornando-se uma componente essencial da IA ​​incorporada. As suas aplicações expandiram-se desde a reabilitação médica até à implantação industrial”, disse Han Bicheng, fundador e CEO da empresa, realçando que os seus produtos já chegaram a mais de 35 países e regiões. O crescimento da empresa ocorre numa altura em que a China está a dar maior apoio político às indústrias do futuro. O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) enumera explicitamente as interfaces cérebro-computador entre as seis indústrias do futuro, posicionando o sector como novo motor de crescimento económico, refere a agência Xinhua, frisando que “desde interfaces cérebro-computador e IA incorporada até voos espaciais comerciais e economia de baixa altitude, um número crescente de empresas privadas chinesas está a assumir a liderança em novos campos e sectores emergentes”. “Com uma visão de mercado apurada e uma forte vitalidade inovadora, estas empresas privadas não só estão a acelerar a comercialização de tecnologias, como também se estão a aventurar em territórios inexplorados, criando novas formas de negócio e novos modelos de crescimento”, comenta a Xinhua, notando que cães robóticos especialmente modificados passam o dia a carregar dentro de montras electrónicas no Centro de Comércio Digital Global do Mercado Internacional de Yiwu. Equipados com câmaras e sensores infravermelhos, conseguem detectar prontamente potenciais riscos de segurança e ajudar a garantir a protecção do local. “Ao longo do último ano, percebemos claramente que os espaços comerciais, os locais culturais e turísticos e os parques industriais se tornaram mais receptivos à aplicação de robôs”, afirmou Li Yiyan, CEO da Botshare, plataforma de arrendamento que liga fornecedores de serviços de robótica a clientes finais. Sendo a primeira plataforma de aluguer de robôs com inteligência artificial integrada da China, a Botshare cresceu rapidamente desde o seu lançamento em Dezembro de 2025, e já está presente em mais de 100 cidades. Em toda a China, as empresas privadas contribuem com mais de 70% das conquistas em inovação tecnológica do país e representam mais de 92% das empresas nacionais de alta tecnologia. Representam também mais de 90% das empresas dos sectores da indústria transformadora de alta tecnologia, dos serviços de alta tecnologia e das indústrias essenciais da economia digital, informou o Economic Information Daily. À medida que as empresas privadas avançam com crescente ímpeto, a China intensificou o apoio político para salvaguardar o seu desenvolvimento. A Lei de Promoção do Sector Privado, que entrou em vigor a 20 de Maio de 2025, inclui um capítulo específico sobre a inovação tecnológica. Apoia explicitamente as organizações económicas privadas no investimento e na criação de negócios nas indústrias estratégicas emergentes e nas indústrias do futuro, dando às empresas privadas um suporte legal mais robusto para acelerar o desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade. Ao longo do último ano, uma série de medidas políticas relativas às empresas privadas foram implementadas a um ritmo acelerado. As pequenas e médias empresas (PME) privadas com investimentos relativamente elevados em investigação e desenvolvimento foram incluídas no âmbito das políticas de apoio à transferência de recursos. As empresas estatais, especialmente as geridas directamente pelo governo central, foram também incentivadas a expandir os cenários de aplicação nos seus principais negócios, atraindo a participação de empresas privadas, PME e institutos de investigação.

 

JTM com agência Xinhua