O embaixador Cai Run afirmou na segunda-feira em Lisboa que “Portugal é importante para Uma Faixa, Uma Rota”, o projecto chinês para incentivar o comércio e a prosperidade a nível global, inspirando-se na antiga rota da seda que ligava a Europa ao Extremo-Oriente
RICARDO JORGE
Correspondente em Portugal
O diplomata, que se encontra em Portugal há já três anos, salientou ser testemunha viva da forte ligação entre os dois povos, muito pela ligação com Macau, sendo o principal orador no Encontro de Leitores Chineses e Portugueses sobre a tradução portuguesa do livro de Xi Jinping “A Governança da China”.
O encontro, que se realizou na Sala D. Luís do Palácio da Ajuda, teve também a presença do vice-ministro executivo Wang Xiaohui, do departamento de comunicação do Comité Central do PC Chinês e muitas altas personalidades da vida política portuguesa. Como convidado de honra, esteve presente o general Rocha Vieira, último governador português de Macau.
O embaixador Cai Run, explicou as ideias do presidente Xi Jinping, que visita oficialmente Portugal no início de Dezembro, no livro “A Governança da China”, salientando que “Portugal é importante para Uma Faixa, Uma Rota”.
Segundo fontes chinesas presentes no colóquio, a visita do Presidente da RPC, a primeira deslocação oficial desde que Xi Jinping tomou as rédeas do poder em Pequim, levará à assinatura de mais de uma dezena de acordos entre os Governos de Lisboa e Pequim.
A palestra inicial, porém, coube a Wang Xiaohui, vice-ministro executivo do departamento de comunicação do Comité Central do Partido Comunista Chinês, que abordou a fidelidade das autoridades de Pequim ao “socialismo com características chinesas” e de como o país liderado por Xi Jinping, também secretário-geral do PCC e presidente da Comissão Central Militar, tudo faz para prosseguir “no caminho da modernidade”.
Wang relembrou ainda a grande mudança que a China teve após 1949, quando Mao Tsé-tung proclamou a República Popular, e sobretudo do sucesso destas últimas quatro décadas de reformas, iniciadas por Deng Xiao Ping, lembrando que a taxa média de crescimento económico anual foi acima dos 9%.
Perante mais de uma centena de assistentes, entre chineses e portugueses, o vice-ministro disse que o livro de Xi foi já traduzido em 24 línguas (entre as quis a versão portuguesa) e está disponível em cerca de 160 países. O primeiro volume data de 2014, o segundo foi publicado em 2017.
Também discursaram o general Pinto Ramalho, presidente da Liga da Multissecular Amizade Portugal-China, e a professora Teresa Cid, directora do Instituto Confúcio de Lisboa e na Sala D. Luís do Palácio da Ajuda está patente uma Exposição de Livros sobre a China.
Entretanto, desde Domingo que em Lisboa se iniciou a Semana do Cinema Chinês, com sete filmes chineses em exibição nos cinemas de todo o país. Entre os sete filmes chineses estão “Sonhos americanos na China”, “Operação Mekong”, “Nascido na China”, “Totem do Lobo”, “Rei Macaco: o Herói está de volta”, “Canção da Fênix” e “Vá Embora Sr. Tumor”.
No lançamento da iniciativa o presidente do Instituto de Cinema e Audiovisual de Portugal, Luís Vaz, disse que a realização da Semana do Cinema Chinês vai fortalecer a amizade dos dois povos e também fornece uma boa oportunidade para promover a popularidade dos filmes chineses na Europa e outros países ocidentais.
Xi Jinping chegou ontem a Espanha
O Presidente chinês Xi Jinping iniciou ontem uma visita aos países ibéricos, começando pela Espanha, e destinada segundo o embaixador chinês na Espanha, Lyu Fan, “a abrir um novo capítulo para as relações bilaterais e vitalizar as relações China-União Europeia em meio ao crescente unilateralismo”.
A visita de Xi à Espanha, a primeira visita de Estado ao país por um presidente chinês em 13 anos, acontece no 45º aniversário do estabelecimento de laços diplomáticos entre os dois países.
A seguir, Xi Jinping segue para Portugal tendo a imprensa oficial chinesa destacado que Portugal é um dos fundadores do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e um dos participantes da primeira edição do Fórum do “Cinturão e Rota” para a Cooperação Internacional e salientado que o Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, declarou anteriormente o seu apreço pessoal pela China e o interesse português na iniciativa chinesa.
Apresentando as suas vantagens ao nível portuário, Portugal expressou, por várias vezes, a abertura para aprimorar a relação com a China no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, refere a Xinhua recordando que nos últimos anos, a State Grid, ZTE, Huawei, Fosun, Banco do Desenvolvimento da China, Banco da China e Haitong Securities, entre outros, investiram mais de 10 mil milhões de euros no país.
O China Daily, por seu turno, destaca finalmente que, no longo prazo, a União Europeia é o maior parceiro comercial, bem como a maior fonte de tecnologia e investimento estrangeiro da China, enquanto a China é o segundo maior parceiro comercial da UE.
Num cenário internacional de incertezas fomentadas pelo unilateralismo e protecionismo comercial, a China e a Europa têm interesses convergentes na defesa do comércio livre e dos mecanismos multilaterais.
Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, partilham a mesma opinião de que “a UE e a China são ambas defensoras do multilateralismo e advogam o aperfeiçoamento do sistema multilateral de comércio sob o princípio do respeito mútuo e do respeito pelos regulamentos”.



