A economia da China cresceu no segundo trimestre ao ritmo mais lento desde o final de 2022, ficando aquém das expectativas do mercado, uma vez que a persistente fraqueza nos gastos dos consumidores, no sector imobiliário e nos investimentos superou a resiliência das exportações e da produção industrial. O PIB da China expandiu 4,3% no segundo trimestre de 2026, abrandando face ao robusto crescimento de 5% no primeiro trimestre, segundo dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas a 15 de Julho. O número ficou abaixo das previsões dos analistas, que variavam entre 4,46% numa sondagem do fornecedor chinês de dados financeiros Wind e 4,5% em sondagens separadas da Reuters e da Bloomberg, e 4,6% do HSBC e do Nikkei. A segunda maior economia do mundo está a tornar-se cada vez mais bifurcada, com as exportações e a indústria transformadora, especialmente nos sectores de alta tecnologia ligados à inteligência artificial, a continuarem a sustentar o crescimento, enquanto os sectores imobiliário, de consumo e de investimento permaneceram fracos. Os economistas descrevem esta crescente divergência como uma economia em forma de “K”, com alguns a alertar que o segmento mais forte, impulsionado pelas exportações pode não ser suficientemente amplo para compensar a persistente fraqueza no resto da economia. Os produtos relacionados com a IA, como chips, computadores e equipamentos de energia, estiveram entre os maiores contribuintes para o crescimento das exportações da China. Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, considerou que a força das exportações chinesas vai além do boom da IA e também reflecte a competitividade da China na indústria transformadora avançada, incluindo electrónica, veículos eléctricos, baterias e outros produtos de maior valor acrescentado. No entanto, é improvável que as exportações, por si só, sejam suficientes para sustentar a economia em geral, referiu. “Os dados mais recentes continuam a mostrar um consumo privado fraco, juntamente com a contracção do investimento privado, sugerindo que a forte procura externa está a amortecer, mas não a inverter, a fragilidade da economia doméstica”, disse Tan. No primeiro semestre do ano, a economia cresceu 4,7%, segundo dados oficiais, deixando Pequim em geral no bom caminho para atingir o seu objectivo anual, apesar do desempenho mais fraco no segundo trimestre. Pequim estabeleceu uma meta de crescimento do PIB de 4,5% a 5% para 2026 e afirmou que “se esforçará por melhorar na prática”, afastando-se da meta de “cerca de 5%” dos anos anteriores, enquanto os decisores políticos lidam com vários obstáculos internos e externos. O aumento dos riscos externos, a procura interna lenta, um mercado de trabalho fraco e uma prolongada recessão no mercado imobiliário continuaram a pesar sobre a economia. Dados separados para Junho apontaram para um cenário misto. A produção industrial e as vendas a retalho apresentaram um crescimento positivo, mas o investimento manteve-se o sector mais fraco da economia, com o investimento em imobilizado a cair 5,7% no primeiro semestre do ano – uma queda mais acentuada do que o esperado pelos mercados. O investimento em activos fixos é um indicador-chave dos gastos com activos de longo prazo, como as infra-estruturas e o imobiliário, e é amplamente considerado um indicador da confiança empresarial e da actividade económica futura. O sector imobiliário continuou a ser um grande entrave ao crescimento, com o investimento imobiliário a cair 18% no primeiro semestre do ano em comparação com 2025, prolongando uma recessão que afectou a confiança dos consumidores e pressionou as finanças dos governos locais, apesar de algumas melhorias pontuais nas maiores cidades chinesas. As atenções viram-se agora para a reunião do Politburo do Partido Comunista, no final de Julho, onde a política fiscal deverá ser o foco, uma vez que os principais dirigentes do país avaliam normalmente o desempenho económico do primeiro semestre do ano e definem as prioridades políticas para o resto do ano. A 13 de Julho, o PM chinês, Li Qiang, apelou a uma “compreensão abrangente e objectiva” da actual situação económica e a “ajustes anticíclicos mais fortes” durante um simpósio com economistas e empresários. No mesmo dia, Pequim apresentou também o seu primeiro plano quinquenal para impulsionar o consumo, com o objetivo de que as vendas a retalho atinjam cerca de 60 triliões de yuans até 2030, procurando tornar o consumo das famílias um motor mais forte do crescimento económico.
JTM com agências de notícias ocidentais



