Analistas chineses afirmaram ontem que os Estados Unidos e a China serão obrigados a chegar a um consenso e que a saída para a guerra comercial só pode ser alcançada através de negociações

 

Vários analistas da Academia de Ciências Sociais da China (CASS, na sigla em inglês), insistiram, num fórum sobre as disputas comerciais, em Pequim, que “mais tarde ou mais cedo, os dois países terão que negociar porque não há outra alternativa”.

O director do CASS, Wu Baiyi, disse estar convencido que os Estados Unidos e a China se sentarão a negociar porque, caso contrário, a economia global “poderá ter um colappso” a longo prazo, o que seria um “desastre” para todos.

Ambas as economias, por serem as maiores do mundo, são “interdependentes”, e estão obrigadas a entenderem-se, agora e no futuro. “Nas próximas décadas vão adaptar-se uma à outra e negociarão as normas, para que esta adaptação decorra melhor”, disse Wu.

Apesar do fracasso das reuniões, na semana passada, entre o vice-ministro chinês do Comércio, Wang Shouwen, e o vice-secretário do Tesouro dos EUA, David Malpassa, os analistas chineses dizem estar optimistas, “porque é Washington que mais tem a perder”.

E consideram que haverá avanços significativos durante os fóruns multilaterais previstos para Novembro, nos quais participarão o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o chinês, Xi Jinping.

Ambos participam na cimeira de líderes do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico e, em finais do mesmo mês, na cimeira de líderes do G20, em Buenos Aires.

Na semana passada, os EUA impuseram taxas alfandegárias adicionais de 25% sobre um conjunto de 279 produtos chineses que, no ano passado, representaram 13.800 milhões de euros nas importações norte-americanas e a China retaliou com taxas sobre igual valor de importações oriundas dos EUA.

Os analistas consideram que o Governo de Xi foi obrigado a retaliar e recordam que a China sempre apelou ao diálogo, e que tem sido “paciente”, face às provocações de Trump.

Yu Yongding, comissariado do CASS, assegurou que as medidas proteccionistas dos EUA não só constituem um desafio para a China, como também para todo o sistema multilateral, porque violam as regras da Organização Mundial do Comércio e lamentou que, neste momento, a Administração Trump não pareça ter como prioridade encontrar uma solução para a guerra comercial, porque está focada nos problemas domésticos.

Já o subdiretor do Instituto de Estudos Americanos do CASS, Ni Feng, recordou que Xi ajudou a celebrar o histórico encontro em Singapura, entre Trump e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, “um dos maiores feitos” da actual administração norte-americana.

“Trump não agradeceu à China e lançou em Julho a guerra comercial”, criticou.

 

JTM/Lusa