O controlo do Congresso dos EUA passará a estar dividido no próximo ano, depois do Partido Democrata ter reconquistado a maioria na Câmara de Representantes nas eleições intercalares. Os republicanos mantiveram a hegemonia do Senado, levando Trump a falar num “tremendo sucesso”
Os democratas retiraram aos republicanos os 23 assentos necessários para voltar a ter a maioria na Câmara de Representantes, graças a vitórias em estados-chave como Virgínia, Flórida, Pensilvânia e Colorado. Por sua vez, os republicanos consolidaram a sua posição no Senado arrebatando cadeiras em pelo menos dois estados – Indiana e Dakota do Norte – e mantendo as actuais no Tennessee e Texas, que estavam sob ameaça.
Apesar do triunfo democrata na luta pelo controlo da Câmara, o Presidente dos EUA considera que as eleições legislativas intercalares representaram um “tremendo sucesso” para as hostes republicanas. Antes, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, já tinha indicado que “foi uma boa noite para o presidente”.
Já a líder democrata na Câmara de Representantes afirmou que “amanhã será um novo dia” para o país. Nancy Pelosi, que será a partir de Janeiro a presidente da Câmara depois de oito anos de domínio conservador, declarou que a conquista dos democratas nesta jornada eleitoral não tem a ver com as diferenças partidárias, mas com “conservar os valores constitucionais” dos EUA. “Com esta nova maioria democrata vamos honrar os valores dos nossos pais fundadores”, destacou a congressista pela Califórnia no seu discurso de vitória, após rejeitar a divisão e realçar a necessidade de “restaurar o controlo e a divisão de poderes”.
“Tivemos suficiente divisão. O povo americano quer paz. Quer resultados”, reiterou a democrata.
Entre os resultados eleitorais, destaque para o facto da democrata Sharice Davids (Kansas) se tornar na primeira mulher indígena americana a chegar ao Congresso. Davids, uma advogada de 38 anos ex-lutadora de artes marciais e homossexual declarada, derrotou o actual representante republicano do Estado, Kevin Yoder.
Já as democratas Ilhan Omar e Rashida Tlaib são as duas primeiras muçulmanas eleitas para o Congresso, pelos Estados de Minnesota e Michigan, respectivamente. Por outro lado, em Vermont, Christine Hallquist, ex-presidente de uma companhia de energia, fracassou na tentativa de se tornar a primeira governadora transgénero dos EUA, ao ser derrotada pelo actual governador, o republicano Phil Scott.
Nestas eleições estavam em jogo 435 assentos da Câmara de Representantes, 35 cadeiras do Senado, 36 governos de estados americanos, além de vários cargos locais, como presidentes de Câmaras, juízes e xerifes.
Os democratas foram eleitos em quatro estados governados por republicanos: Novo México, Michigan, Illinois e Kansas. Além disso, os mantiveram os governos de Nova Iorque, Pensilvânia, Minnesota e Rhode Island, enquanto os republicanos fizeram o mesmo com os de Texas, Oklahoma, Wyoming, Arkansas, Tennessee, Alabama, Carolina do Sul, Maryland, Massachusetts e Nebrasca.
A votação era considerada o primeiro teste para Trump, numa espécie de referendo sobre o Presidente num país muito dividido. Embora o seu nome não constasse dos boletins, o próprio Trump deixou claro que era um referendo sobre a sua presidência.
JTM com agências internacionais




