Os protestos contra a recém-aprovada alteração legislativa à Lei indiana da Cidadania para abranger imigrantes, incluindo muçulmanos, expandiram-se ontem a várias universidades do país, com novas manifestações que juntaram milhares de estudantes
Várias centenas de pessoas manifestaram-se ontem de manhã em frente à Universidade Jamia Millia Islamia, em Nova Deli, para protestar contra a alteração à Lei de Cidadania aprovada na semana passada pelo parlamento. A alteração modifica a Lei da Cidadania de 1955 para permitir que imigrantes hindus, sikh, budistas, jainistas, parses e cristãos originários do Afeganistão, Bangladesh e Paquistão que tenham ido para o país antes de 2015, possam obter a cidadania indiana.
A nova legislação, que provocou protestos especialmente violentos em Assam (Estado da Índia com profundo sentimento anti-imigrantes) e já levou a pelo menos seis mortes, tem sido criticada por ir contra o espírito secular do país, tornando a religião um factor válido para a obtenção de cidadania.
A universidade da capital indiana tornou-se um dos epicentros dos protestos estudantis e, no domingo, registou várias cenas violentas quando a polícia invadiu o “campus” ao anoitecer. De acordo com a polícia, grupos de manifestantes violentos entraram no “campus” depois de participar num protesto nos arredores da universidade, durante o qual foram queimados vários autocarros e em que a polícia teve de recorrer ao uso de gás lacrimogéneo.
No entanto, a universidade criticou a acção, garantindo que a polícia entrou no ‘campus’ sem permissão, causando danos materiais, mas também “grandes prejuízos emocionais” aos estudantes. “A polícia deixou 200 estudantes feridos”, disse ontem a vice-reitora da universidade, Najma Akhtar, em conferência de imprensa.
Também na Universidade Islâmica Nadwa, na cidade de Lucknow, no Estado de Uttar Pradesh (norte), cerca de 400 estudantes juntaram-se ontem em protesto contra a Lei de Cidadania e em solidariedade com a Universidade de Jamia.
A televisão indiana NDTV mostrou imagens de agentes policiais a bloquear a porta principal do edifício, enquanto uma multidão de estudantes atirava objectos por cima do muro.
“A situação está normal agora, os nossos representantes estão a conversar com os líderes estudantis para os acalmar”, garantiu, entretanto, o superintendente-adjunto da polícia de Lucknow.
Já no domingo tinham sido registados confrontos entre estudantes e forças de segurança na Universidade Islâmica de Aligarh, também no Estado de Uttar Pradesh, tendo a instituição decidido fechar portas até 5 de Janeiro.
Protestos estudantis também aconteceram ontem em Mumbai, quando a chefe do governo do estado oriental de Bengala, Mamata Banerjee, organizou uma marcha de milhares de pessoas contra a Lei da Cidadania que, segundo a responsável, contraria os fundamentos laicos do país.
JTM com Lusa



