Do Governo aos próprios responsáveis do movimento “Occupy Central”, Hong Kong uniu-se numa condenação geral à iniciativa de alguns manifestantes que na madrugada de ontem tentaram invadir a sede do Conselho Legislativo. Alex Chow, líder da Federação de Estudantes de Hong Kong, negou porém que os protestos pró-democracia estejam fora de controlo
O Governo e as autoridades policiais de Hong Kong condenaram ontem a acção dos manifestantes que tentaram invadir o edifício do Conselho Legislativo da antiga colónia britânica. As próprias organizações que lideram os protestos censuraram a iniciativa, classificando-a como “prejudicial” e “inútil”.
Os incidentes aconteceram na madrugada de quarta-feira quando um grupo de manifestantes encapuzados tentou entrar no Conselho Legislativo (LegCo), perto da zona de Admiralty. Alguns vidros foram partidos e para conter a acção, a polícia recorreu a cassetetes e a gás de pimenta contra os manifestantes. Pelo menos quatro pessoas foram detidas no decorrer dos confrontos que aconteceram poucas horas depois da retirada de barricadas pelas autoridades, após uma decisão judicial para reduzir a área ocupada pelos manifestantes. A sessão parlamentar de ontem foi cancelada, assim como as visitas do público ao LegCo.
A Federação de Estudantes de Hong Kong e a Scholarism, as duas organizações estudantis à frente dos protestos que apelam a mais liberdades democráticas, disseram ontem que os jovens que invadiram o parlamento se “equivocaram” e que as acções foram “inúteis”.
Joshua Wong, líder do grupo estudantil Scholarism, disse que acções como estas colocam os outros manifestantes em perigo. “Numa campanha de desobediência civil os participantes têm que assumir as suas responsabilidades legais e garantir a segurança de todos os demais participantes”, afirmou.
Alex Chow, líder da Federação de Estudantes de Hong Kong, negou que os protestos democráticos estejam fora de controlo, mas admitiu que é preciso melhorar a coordenação entre os manifestantes.
Deputados da ala democrata também condenaram o ataque mas acrescentaram que os manifestantes foram enganados por rumores que circulavam sobre uma votação que estaria para acontecer sobre a liberdade na Internet. “Estes actos violentos violaram o princípio de paz e de não violência que sempre pautou o movimento”, lamentou o líder do Partido Cívico, Alan Leong.
Outros deputados manifestaram também preocupação em relação à possibilidade do incidente dar um pretexto aos deputados pró-Pequim para avançar com uma proposta que prevê a construção de uma vedação em metal com três metros de altura a rodear o LegCo.
Após o incidente, o Governo reiterou que os residentes têm que observar as leis quando apresentam opiniões ou queixas e que não podem ser toleradas acções que ponham em risco a ordem e segurança públicas.
A polícia de Hong Kong começou remover os obstáculos na zona Admiralty na manhã de terça-feira e a missão foi concluída às 15:00 do mesmo dia, sem encontrar dificuldades.
O Chefe do Executivo, Cy Leung, afirmou que a maioria dos cidadãos de Hong Kong respeita as leis, reiterando que o movimento “Occupy Central” já manifestou claramente as suas exigências políticas. Acrescentou também que as acções dos últimos meses violaram “claramente as leis” e que “não são aceitáveis pela sociedade de Hong Kong”.
As manifestações, que exigem a instauração do sufrágio universal no território, iniciaram-se a 28 de Setembro. O número de pessoas nas manifestações diminuiu consideravelmente, mas os activistas ainda ocupam três áreas da ex-colónia britânica, o que afecta consideravelmente os transportes públicos, assim como a actividade económica e comercial.




