A Comissão Eleitoral Nacional (CEN) são-tomense anunciou que aguarda pela transferência de mais de um milhão de euros para realização das eleições de Setembro, valor que o executivo afirma estar assegurado. O presidente da CEN, Jeudiger Nascimento, precisou que o orçamento para as eleições legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro é de cerca de 27 milhões de dobras (cerca de 1,1 milhões de euros), montante já solicitado ao Governo, mas ainda não disponibilizado. “É esse valor que esperamos que o Governo coloque à disposição da Comissão Eleitoral com maior brevidade possível, porque existe um conjunto de acções que precisam ser levadas a cabo, e se nós não tivermos esse montante pode acontecer que teremos que adiar ou suprimir algumas acções e isso pode colocar em causa o próprio acto”, disse Nascimento. O presidente da CEN expôs a situação numa reunião com os representantes dos partidos políticos, admitindo que o atraso na disponibilização do valor tem condicionado as acções “para garantir que as eleições sejam livres, justas, transparentes”. No entanto, Nascimento mostrou-se confiante de que não será necessário adiar as eleições e que o Governo irá disponibilizar o valor a tempo. Questionado pela Lusa, o ministro da Economia e Finanças, Gareth Guadalupe, garantiu que tem a verba prevista e justificou o atraso na transferência porque aguarda da CEN a apresentação do relatório de execução dos valores disponibilizados para as eleições presidenciais. No entanto, Gareth Guadalupe admitiu que a partir da próxima semana deverá começar a transferência de verbas para a CEN. “Em momento algum pusemos em causa a transferência de verbas para a Comissão Eleitoral Nacional e são apenas rumores e nada mais do que rumores, mas o que é importante é que, concomitantemente ao desembolso das novas verbas, seja também feita a prestação de contas relativamente ao que foi disponibilizado para as eleições presidenciais”, disse o ministro. Já o presidente da CEN justificou que, segundo a lei, o relatório das eleições deve ser apresentado até um mês após a conclusão de todo o processo. “Não podemos caucionar uma eleição, um processo democrático por causa de uma solicitação burocrática”, defendeu Nascimento. Segundo o responsável, as eleições presidenciais de 19 de Julho foram realizadas sobretudo com o financiamento de 34 milhões de dobras disponibilizado pelo Governo do Japão através de fundo de contrapartida resultante da venda do arroz que aquele país oferece anualmente a São Tomé e Príncipe. Jeudiger Nascimento disse que a CEN apresentou um orçamento de cerca de 75 milhões de dobras (mais de 3 milhões de euros) para as eleições de Julho e Setembro, executou até ao momento uma despesa de cerca de 24 milhões de dobras, e ainda aguarda pelas transferências do Governo para pagar muitas despesas relativas às presidenciais.
Polícia moçambicana detém três suspeitos de preparar rapto em Maputo
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) moçambicano anunciou a detenção de três suspeitos de prepararem um rapto em Maputo, apreendendo uma arma de fogo, uma viatura e um imóvel destinado a manter a vítima em cativeiro. “Esta detenção resulta do monitoramento e segmento operativo de potenciais delitivos que vêm sendo procurados a nível do Sernic com vista à prevenção e combate ao crime de rapto”, disse em conferência de imprensa a chefe das Relações-Públicas do Sernic na província de Maputo, sul de Moçambique. Segundo Sheila Manjate, a operação, que resultou na detenção de três cidadãos nacionais, é também fruto de acções de monitorização de suspeitos associados ao crime de rapto, permitindo ao Sernic identificar um imóvel arrendado para funcionar como cativeiro, uma viatura destinada ao apoio logístico e uma pistola encontrada na posse de um dos detidos. As investigações indicam que a viatura e o imóvel utilizados na preparação da alegada acção criminosa foram adquiridos com cerca de 300 mil meticais (quatro mil euros) entregues por outro membro do grupo, actualmente em fuga, apontado como responsável pelo financiamento da logística do rapto. “O [cidadão] que entregou o dinheiro é um dos integrantes do grupo criminoso que entrega o dinheiro para se organizar a logística do crime”, explicou a responsável. A porta-voz acrescentou que parte dos detidos possui antecedentes criminais e está ligada a processos relacionados com crimes da mesma natureza, acrescentando que um dos suspeitos já cumpriu uma pena superior a 16 anos de prisão. “Alguns já cumpriram pena em processos da mesma natureza e noutros tipos de crime”, afirmou, sem, contudo, revelar a identidade do alegado alvo do rapto por “razões ligadas à investigação e à protecção da potencial vítima”. Os três suspeitos permanecem sob custódia policial e deverão ser presentes ao juiz de instrução criminal para aplicação das medidas de coacção, enquanto prosseguem diligências para localizar outros alegados membros do grupo, incluindo o suspeito apontado como financiador da operação. A detenção ocorre numa altura em que as autoridades moçambicanas procuram consolidar o combate aos raptos. Em Julho, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que o país não registava casos conhecidos de rapto há cerca de nove meses, atribuindo essa evolução ao reforço das acções de prevenção e investigação. Desde Outubro do ano passado, quando um empresário português foi raptado em Maputo e posteriormente libertado, não são conhecidos publicamente novos casos deste tipo de crime. Segundo dados anteriormente divulgados, os raptos fizeram 15 vítimas em 2024 e 10 em 2025, sobretudo empresários.
Inflação em Angola abaixo dos 10% pela primeira vez desde 2015
A inflação homóloga em Angola desceu em Julho para 9,33%, pela primeira vez abaixo dos dois dígitos na série do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), iniciada em 2015, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). De acordo com uma nota de imprensa do INE, a taxa de Julho representa uma desaceleração de 0,78 pontos percentuais face ao mês anterior e de 10,15 pontos em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo a trajectória de descida. É a primeira vez desde que esta série estatística foi iniciada, em 2015, que a inflação homóloga fica abaixo de 10%. Seis províncias mantêm ainda a inflação nos dois dígitos, com destaque para Cabinda, que apresentou os preços mais altos do país (13,09%), seguida de Malanje (12,01%) e da Lunda Sul (11,40%). No extremo oposto, o Cuanza Norte registou a inflação mais baixa (6,00%), seguindo-se o Huambo (6,59%) e do Cunene (6,86%). Por classes de despesa, a educação foi a que registou o maior aumento de preços, com uma variação homóloga de 25,24%, seguindo-se a alimentação e bebidas não alcoólicas, com 10,4%, a habitação, água, eletricidade e combustíveis, com 10,17%, e a saúde, com 10,16%. Os aumentos de preços mais baixos verificaram-se nos transportes (3,65%), lazer, recreação e cultura (4,73%) e nos hotéis, cafés e restaurantes (5,40%). O IPCN, que mede a evolução dos preços de um cabaz de bens e serviços em todo o território nacional, começou a ser compilado sistematicamente em janeiro de 2015, abrangendo 18 províncias. Teve origem no Índice de Preços no Consumidor iniciado em 1991, na altura restrito a Luanda, segundo as notas metodológicas do INE. O sistema de recolha de dados do IPC garante a representatividade dos pontos de venda em todo o território, com base numa amostra de 1.193 estabelecimentos comerciais e mercados.



