Pelo menos cinco pessoas morreram após a explosão de um recipiente com combustível armazenado numa residência em Mocuba, na província da Zambézia, centro de Moçambique. “Perderam-se aqui nada mais nada menos que cinco vidas num único momento e no mesmo instante. Isto é de lamentar”, disse à comunicação social a administradora do distrito de Mocuba, Adelina Tavares. A explosão ocorreu na tarde de sexta-feira, no bairro Aeroporto II, pouco depois de o combustível ser descarregado na residência das vítimas que, segundo testemunhas, pretendiam vender o produto de forma informal, face à falta que se regista na região. Segundo a comunicação social, quatro pessoas morreram no local e uma criança de 2 anos morreu no Hospital Distrital de Mocuba devido à gravidade dos ferimentos. “Não há combustível em toda a cidade (…). Vêm aqui revender para ver se podem conseguir alguma coisa, mas acabou saindo uma tragédia”, disse aos jornalistas uma testemunha. Segundo a administradora de Mocuba, o incidente ocorreu numa altura em que as autoridades locais têm estado a alertar para as consequências do armazenamento e venda de combustíveis em casa. “Os apelos nunca faltaram. Nessa mesma semana, a polícia da República e o conselho municipal estavam no terreno a fazer alguns trabalhos a este mesmo propósito para desaconselharem estes cidadãos que, de forma insistente, têm feito a venda de combustíveis em locais inapropriados, mas preocupa-nos mais a maneira como este combustível é armazenado”, disse Adelina Tavares. Moçambique regista alguma acalmia e retorno à normalidade no abastecimento de combustíveis no país, após semanas marcadas por falta de gasolina e de gasóleo, filas com dezenas de carros e a Unidade de Intervenção Rápida da polícia colocada nos postos que conseguiam abastecer gasolina ou gasóleo para garantir a segurança por entre centenas que se juntavam, incluindo motociclos e consumidores munidos de bidões.
Suspenso julgamento de influenciador angolano por danos em disco com provas
O julgamento do influenciador digital angolano Gerson Quintas “Man Genas” arrancou, em Luanda, mas a audiência foi suspensa e adiada para 17 de Julho por se encontrar danificado um dos discos junto aos autos como prova dos crimes. Gerson Quintas “Man Genas” começou a ser julgado pelo Tribunal da Comarca de Luanda pelos crimes de associação criminosa, ultraje ao Estado, os seus símbolos e órgãos e de instigação ao crime público, em co-autoria com Clemência Suzete Vumbi, sua mulher. O julgamento iniciou-se sem que tenha sido lida a acusação. O processo remonta ao ano 2022, quando “Man Genas” acusou publicamente membros do Governo e altas patentes dos órgãos de defesa e segurança angolanos, entre os quais o antigo ministro do Interior de Angola Eugénio Laborinho, de envolvimento no narcotráfico. O arguido, acompanhado da mulher e dois filhos refugiaram-se, em 2023, em Maputo, Moçambique, tendo mais tarde sido deportado para Angola, encontrando-se detido até à presente data. Em declarações à imprensa, no final da sessão de julgamento, o advogado de defesa, Alberto Quechinacho, disse que foram levantadas algumas questões prévias, como o fundamento da presença de advogados de Eugénio Laborinho, que pretendiam constituir-se assistentes, porquanto os crimes públicos de que o seu constituinte vem acusado são públicos. Segundo Alberto Quechinacho, Eugénio Laborinho, ofendido noutro processo, no qual o arguido foi condenado, em Outubro de 2025, a uma pena de três anos e meio, tentou constituir-se assistente no processo ora em julgamento, mas o tribunal rejeitou a sua presença. “Felizmente não foi admitido, porquanto ele não é parte no processo, não é ofendido. Neste processo está o Estado representado pelo Ministério Público, o que se entende nos termos da lei [que seja] suficiente”, disse o advogado, considerando que a decisão do tribunal foi correcta. Ainda na fase das questões prévias, a defesa solicitou que o início do julgamento fosse suspenso, porque o Tribunal da Relação, no seu acórdão sobre o recurso interposto, terá alegadamente absolvido “Man Genas” dos crimes de que vem acusado. “O que nós queríamos é que o tribunal oficiasse o Tribunal da Relação para se pronunciar sobre essa absolvição, porque um cidadão não pode ser julgado e condenado duas vezes nos mesmos crimes (…) era necessário que o Tribunal da Relação se pronunciasse”, argumentou Alberto Quechinacho. Contudo, a juíza decidiu avançar com o julgamento, considerando que o acórdão do Tribunal da Relação era referente ao processo anterior, no qual “Man Genas” era acusado dos crimes de calúnia, difamação e injúria. No decorrer da audiência, o arguido foi interrogado pelo tribunal, Ministério Público e a defesa, tendo sido exibidos áudios e vídeos com os quais foi confrontado. Entretanto, um dos discos, por se encontrar danificado, não foi usado. Face à situação, o tribunal deliberou atender o requerimento do Ministério Público para se suspender a audiência e oficiar o Laboratório de Criminalística para ajudar na identificação do conteúdo do disco, julgando-se “um elemento probatório de interesse relevante para a descoberta da verdade material e boa decisão da causa”. No final da sessão, o arguido questionou o tribunal sobre a sua situação carcerária, tendo a juíza respondido que, neste processo, reponde como réu solto.
Polícia federal acusa Flávio Bolsonaro de caluniar Lula
A Polícia Federal (PF) do Brasil concluiu que o senador Flávio Bolsonaro terá cometido calúnia contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao atribuir-lhe crimes como tráfico de drogas e branqueamento de dinheiro. A acusação consta do relatório final de uma investigação, divulgada no fim de semana, e conduzida pela PF a pedido do juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público Federal deverá agora decidir se prossegue a acusação e solicitar ao STF a abertura de um processo por difamação contra o filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à presidência do Brasil. O senador de extrema-direita recorreu à rede social X, em 3 de Janeiro, para atribuir ao líder brasileiro crimes como tráfico de drogas, branqueamento de dinheiro, além de associar Lula ao do líder venezuelano Nicolás Maduro. “É claro, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro, através da sua publicação, acusou falsamente o Presidente Lula de cometer os crimes mencionados, que estão expressamente definidos no nosso Código Penal”, afirmou a PF no relatório final. A eventual abertura de um processo contra Bolsonaro poderá ter impacto nas eleições presidenciais de Outubro, nas quais Lula procurará a reeleição e cujo principal rival, segundo as sondagens, é o senador de extrema-direita. Até há poucas semanas, os dois candidatos pareciam estar praticamente empatados nas sondagens para uma possível segunda volta, mas nas últimas sondagens, Lula está a liderar com até seis pontos de vantagem sobre Bolsonaro. O Presidente distanciou-se do rival após a divulgação de conversas em que o senador pede a um banqueiro, preso e acusado de uma das maiores fraudes do país nas últimas décadas, fundos para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Em Abril, após a abertura da investigação, a assessoria de imprensa do senador informou, em comunicado, que Flávio Bolsonaro “recebe com profunda estranheza a decisão” e garantiu que o parlamentar não imputou crimes a Lula da Silva.



