O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês reiterou o compromisso da China em apoiar África a libertar-se da “armadilha do subdesenvolvimento”, sublinhando a importância da construção de infra-estruturas e formação de quadros africanos
Num comunicado enviado à Lusa que transcreve a intervenção do responsável chinês na reunião com os homólogos dos países do G20, em Nagoya, no Japão, Wang Yi considerou necessário ajudar África a romper os “três principais obstáculos ao desenvolvimento”: falta de infra-estrutura, escassez de talentos e carência de fundos.
Para o ministro, que é também conselheiro de Estado, a China ajudou o continente a construir mais de 10 mil quilómetros em ligações rodoviárias e mais de seis mil quilómetros em linhas ferroviárias, além de bibliotecas, escolas e hospitais.
“Mais de metade das oito grandes iniciativas anunciadas durante a cimeira da FOCAC [Fórum de Cooperação China-África] de Pequim, no ano passado, e respectivo apoio financeiro, foram implementados ou foram feitos acordos concretos nesse sentido”, apontou.
Os projectos de infra-estruturas da China em África geram mais de 50 mil milhões de dólares em benefícios para o continente anualmente, garantiu Wang Yi, destacando a ligação ferroviária Mombaça-Nairobi, que “ajudou a criar quase 50 mil empregos locais e contribuiu para cerca de 1,5% de crescimento económico do Quénia”.
Bancos estatais e outras instituições chinesas estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no continente, incluindo a construção de portos, aeroportos, auto-estradas ou redes ferroviárias.
Na última cimeira da FOCAC, o Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu mais de 60 mil milhões de dólares para África, entre 2018 e 2021, no formato de assistência governamental e através do investimento e financiamento por instituições financeiras e empresas chinesas. Críticos apontaram para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável, o favorecimento de fornecedores, empresas e trabalhadores chineses, em detrimento dos locais, ou o impacto no meio ambiente.
JTM com Lusa



