A China pretende integrar a sua economia na tecnologia e intensificar os esforços para alcançar a auto-suficiência em sectores críticos nos próximos cinco anos, numa tentativa de impulsionar o crescimento e sair na frente da concorrência com os EUA. Ambiciona também expandir a procura interna com um “aumento notável” do consumo das famílias, de acordo com o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), embora o documento de 135 páginas não defina uma meta concreta. Uma versão preliminar do Plano Quinquenal foi submetida a revisão no primeiro dia da sessão legislativa anual da China, que decorre até 12 de Março. Um tema central é o reforço da auto-suficiência tecnológica, que ganhou nova urgência com o aprofundamento da rivalidade com os EUA. A China “aumentará substancialmente a sua capacidade de auto-suficiência e a sua força na ciência e tecnologia”, refere o documento, comprometendo-se a aumentar as despesas nacionais em investigação e desenvolvimento em pelo menos 7% ao ano até 2030, em linha com as metas estabelecidas nos últimos cinco anos. Pequim ambiciona avanços rápidos em tecnologias essenciais e tomará “medidas extraordinárias” para impulsionar o desenvolvimento em áreas como os semicondutores e os equipamentos de ponta. Ao mesmo tempo, continuará a reforçar a sua vantagem competitiva em sectores como as terras raras, os metais raros e os materiais superduros. Pequim reduziu a meta de crescimento económico para 2026 para entre 4,5% e 5%, o ritmo mais lento em décadas, enquanto os decisores políticos deixam espaço para ajustamentos estruturais e reformas. A China irá “construir um sistema industrial moderno com a manufactura avançada como espinha dorsal”, refere o documento. Além de modernizar as fábricas com linhas de produção mais inteligentes, os decisores políticos querem acelerar o desenvolvimento de sectores emergentes, como a robótica e o aeroespacial, e promover indústrias do futuro, como a tecnologia quântica e as interfaces cérebro-computador. O documento destaca uma “Iniciativa IA Plus” já existente, que visa incorporar a tecnologia em toda a economia, desde as repartições públicas às fábricas, e também incentiva mais compras estatais de produtos nacionais inovadores. Outra prioridade é expandir a procura interna nos próximos cinco anos, com o roteiro a reconhecer que “o problema do desenvolvimento desequilibrado e inadequado continua a ser proeminente” na economia chinesa, com “estrangulamentos na procura interna”. Pequim prometeu “alcançar um aumento notável do consumo das famílias em percentagem do PIB” e centralizar os gastos dos consumidores para impulsionar cada vez mais o crescimento económico da China, segundo o roteiro. O consumo das famílias representa cerca de 40% do PIB, de acordo com dados do Banco Mundial relativos a 2024, ficando atrás da média global de cerca de 55% em 2022. Aumentar as despesas dos consumidores ajudaria a reequilibrar um modelo de crescimento fortemente dependente das exportações e a proteger a economia contra choques externos ou aumentos das tarifas. O crescimento da procura interna, no entanto, continua teimosamente lento, com os consumidores preocupados com os empregos e perspectivas financeiras. Para incentivar os consumidores relutantes a gastar, Pequim, desde 2024, subsidia produtos que vão desde automóveis a máquinas de lavar roupa e lançou este ano um plano para fomentar os gastos em serviços como comboios turísticos e cuidados a idosos. A proposta do plano quinquenal defende esforços para aumentar o emprego e o rendimento, incluindo através da segurança social e das transferências governamentais. Ainda assim, os decisores políticos não indicaram uma meta para o crescimento do consumo das famílias, o que teria sinalizado uma vontade política mais forte para este impulso. O plano comprometeu ainda os decisores políticos com a construção de um “mercado nacional unificado” para resolver os estrangulamentos no crescimento da procura interna. As medidas para resolver estes bloqueios incluem a remoção de restrições nos concursos governamentais para atrair um leque mais vasto de fornecedores, a melhoria das redes logísticas para reduzir os custos de transporte e o reforço das leis de concorrência leal para eliminar os monopólios, acrescentou o plano. O abrangente roteiro orienta também as políticas em setores que vão desde o ambiente e a cultura à segurança e defesa.
JTM com agências internacionais



