As autoridades chinesas anunciaram um plano para impulsionar novos motores de consumo, integrando inteligência artificial (IA) em produtos que cheguem a “todos os lares”, dada a conjuntura actual que combina a ascensão desta tecnologia com a fraca procura interna. Vários ministérios, liderados pelo Ministério do Comércio, lançaram o programa, que inclui 17 medidas destinadas a incorporar funções de IA em bens e serviços de consumo através de novos produtos inteligentes, robôs, subsídios e infra-estruturas. O desenvolvimento desta iniciativa, denominada “IA + Consumo”, “ajudará a criar novos motores de crescimento para o consumo, promoverá a melhoria e a expansão do consumo e irá ao encontro da procura das pessoas por uma vida melhor”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio num comunicado. Assim, a China irá promover a venda de robôs e assistentes inteligentes para auxiliar nas tarefas domésticas, na monitorização da saúde e até nos cuidados aos idosos – uma questão crucial, considerando o rápido envelhecimento da população do segundo país mais populoso do mundo. A IA será também parte integrante de uma nova geração de dispositivos, como ‘smartphones’, automóveis e diversos acessórios, como óculos de sol e sistemas de domótica. As autoridades prevêem ainda um aumento da utilização da IA ​​em sectores como o turismo, a hotelaria e a educação, e defendem uma maior integração no retalho, no comércio electrónico e na logística, para os quais será promovido o desenvolvimento de veículos autónomos e drones de entrega. Para financiar o plano, Pequim vai utilizar o fundo estatal de investimento em IA, expandir o milionário programa de troca a dispositivos inteligentes de última geração e oferecer taxas de juro subsidiadas em empréstimos pessoais para compras relacionadas com IA. A iniciativa foi anunciada pouco depois de a China, uma das líderes na corrida global pelo desenvolvimento da IA, ter revelado que as vendas a retalho – um indicador-chave do consumo – terem registado em Maio a sua primeira queda desde o final de 2022, reflectindo não só a desaceleração da segunda maior economia do mundo, mas também uma falta de confiança entre os consumidores que as autoridades ainda não conseguiram dissipar.

 

JTM com agências internacionais