EPA/ANDRES MARTINEZ CASARES POOL / POOL
EPA/ANDRES MARTINEZ CASARES POOL / POOL

Embora grande parte da atenção mundial esteja focada na guerra com o Irão, isso não impediu a China de prosseguir as suas prioridades nacionais, que têm repercussões globais. Não que a China não se importe com a guerra e o seu impacto no fornecimento de energia e na geopolítica. Mas, para a segunda maior economia do mundo, a crescente rivalidade com os EUA gira em torno de uma batalha diferente: o desenvolvimento de tecnologias de ponta que moldam o século XXI. Esta mensagem ficou clara no Plano Quinquenal formalmente aprovado na quinta-feira pela Assembleia Nacional Popular (ANP), no final da sua reunião anual, o maior evento político do país no ano. Na verdade, a China está a redobrar os esforços para transformar a sua economia e estar na vanguarda da tecnologia. A imprensa estatal destacou a determinação da China em manter o rumo do desenvolvimento económico como uma força para a estabilidade num mundo incerto. “Uma China estável e em desenvolvimento injecta mais estabilidade e certeza num mundo repleto de mudanças e turbulência”, afirmou o jornal oficial Diário do Povo numa coluna de primeira página. A ANP aprovou também três leis, incluindo uma que regula as minorias étnicas, na sua sessão de encerramento. As votações são cerimoniais e quase unânimes, com o objectivo de demonstrar a unidade em torno da visão do Partido Comunista Chinês para a nação. O Plano Quinquenal foi aprovado com 2.758 votos a favor, um contra e duas abstenções. “Estamos a avançar a toda a velocidade na construção de um grande país”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, numa conferência de imprensa anual durante as “Duas Sessões”. Muitos economistas acreditam que a China tem de fazer mais para impulsionar o consumo interno e reduzir a dependência do crescimento impulsionado pelas exportações. Os líderes chineses concordam em princípio, mas o Plano Quinquenal coloca a tecnologia em primeiro plano, confirmando que continua a ser a principal prioridade. Os analistas esperam que quaisquer medidas para impulsionar o consumo sejam graduais, como a expansão da segurança social e dos benefícios de saúde, enquanto os recursos governamentais são investidos em inteligência artificial, robótica e outras áreas. O Primeiro-Ministro Li Qiang anunciou uma meta de crescimento económico de 4,5% a 5% para 2026, um nível que dá ao governo mais margem de manobra para se focar nos objectivos a longo prazo. O Plano Quinquenal não se compromete a reduzir as emissões de carbono em geral, mas apenas a reduzir a “intensidade de emissões” – a quantidade de poluentes emitidos em relação à dimensão da economia. Isto significa que as emissões ainda podem subir à medida que a economia se desenvolve. A meta de redução da intensidade foi fixada em 17%, o que poderá permitir um aumento de 3% ou mais nas emissões, disseram analistas. “A boa prática internacional é abandonar as metas de intensidade e adoptar metas absolutas de redução de emissões”, defendeu Niklas Hohne, do Instituto NewClimate, na Alemanha. A China tem um historial de estabelecimento de metas conservadoras e a sua rápida expansão da energia solar e de outras energias limpas pode, de qualquer forma, reduzir as emissões. O país é o maior emissor de gases com efeito de estufa do mundo, mas os seus líderes defendem há algum tempo que a dimensão da sua população e economia deve ser considerada quando se avaliam os níveis de poluição. Uma lei abrangente sobre as minorias étnicas, aprovada pela ANP, consolida o que os críticos consideram ser uma política governamental de assimilação, enfatizando a criação de “uma consciência comum da nação chinesa”. O governo afirmou que a lei visa fomentar um sentido de comunidade mais forte e o desenvolvimento económico partilhado entre os seus grupos étnicos. A lei incorpora uma abordagem da liderança de Xi Jinping que promove a unidade em detrimento das culturas étnicas e das suas línguas. “Isto representa um golpe mortal na promessa original do partido de uma autonomia significativa”, disse James Leibold, professor da Universidade La Trobe, na Austrália, que estuda as mudanças nas políticas da China em relação às suas minorias étnicas. Propostas formais e outras sugestões para reduzir o horário de trabalho estiveram entre as que mais chamaram a atenção nas redes sociais durante as “Duas Sessões”. Muitas concentraram-se no “direito ao descanso”, incluindo apelos para que os funcionários tivessem o direito de não responder a mensagens de trabalho fora de horas. Muitos trabalhadores chineses têm apenas cinco dias de férias pagas por ano. Yu Miaojie, economista e deputado no Congresso, propôs o aumento do período mínimo de férias anuais de cinco para dez dias. A Associated Press conclui que a popularidade das propostas reflecte a preocupação com a intensa concorrência no mercado de trabalho chinês. Dar aos trabalhadores mais tempo livre é também visto como uma forma de impulsionar o consumo, oferecendo-lhes mais tempo livre para gastar.

 

JTM com agências internacionais