Os desequilíbrios económicos globais, especialmente o conflito comercial com a China, a falta de investimento na Europa e o impacto da guerra contra o Irão serão os principais temas da cimeira do G7 esta semana, em Évian, França. A Presidência francesa espera alcançar acordos mínimos sobre questões específicas, como os minerais críticos e os fertilizantes. Paris apontou a redução destes desequilíbrios globais como a sua principal prioridade económica. Estes desequilíbrios dizem sobretudo respeito ao enorme excedente comercial da China (mais de mil milhões de dólares em 2025), como consequência de políticas públicas focadas na produção que, devido à falta de procura interna consistente, estão a inundar os mercados externos e a destabilizá-los. Os desequilíbrios macroeconómicos globais assentam também nos “défices gémeos” dos EUA: o comercial (em parte devido à política comercial agressiva da China) e o orçamental, que a França acredita estarem na origem da enorme dependência das tarifas por parte de Trump. A França está também preocupada com a falta de investimento na Europa, que se traduz em níveis muito baixos de inovação e crescimento, e num atraso em sectores básicos como a tecnologia, particularmente a inteligência artificial. Outra questão-chave da cimeira, entre hoje e quarta-feira, senão a principal, é o impacto da guerra dos EUA e Israel contra o Irão, e a sua principal consequência económica: o fecho do estreito de Ormuz. O Presidente francês, Emmanuel Macron, quer “definir objectivos comuns” com Trump para a crise, particularmente no que respeita à reabertura do Estreito de Ormuz, que interrompeu o fluxo de praticamente 20% do petróleo e gás mundial provenientes do Golfo Pérsico. Para tal, convocará amanhã não só os países do G7, mas também alguns dos principais parceiros árabes, severamente afectados pelo conflito: Egipto, Qatar e Emirados Árabes Unidos. A sua proposta, com a coligação que formou com o Reino Unido e cerca de meia centena de outros países, seria a de oferecer garantias de livre passagem por Ormuz em caso de cessação das hostilidades. Paralelamente, a França prepara uma declaração da cimeira do G7 sobre minerais críticos, que abordará o problema, para as nações ricas, mas também para muitas economias emergentes, da monopolização da produção e, sobretudo, da industrialização destes materiais essenciais para indústrias estratégicas por parte da China. Haverá ainda outra declaração sobre a ajuda ao desenvolvimento, que visa estabelecer um novo padrão para estas políticas, muito mais dependente do capital privado, depois de alguns países ricos, particularmente os EUA, mas também a França, terem reduzido drasticamente as suas contribuições públicas. No último dia, os líderes participantes na cimeira de Évian receberão entre 10 a 15 executivos de empresas de tecnologia e inteligência artificial para um almoço.

 

JTM com agências internacionais