O Presidente dos EUA, Donald Trump, tem prevista uma visita à China nos dias 14 e 15 de Maio, quando se reunirá com Xi Jinping, após ter adiado uma cimeira anterior devido à guerra no Irão. Além das cortesias diplomáticas, Pequim buscará conquistas pequenas e concretas, segundo analistas, mas manter-se-á “realista e pragmática” dada a natureza imprevisível de Trump. A China deseja uma retoma geral das relações, mas sabe que isso é pouco provável, afirmou Benjamin Ho, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, de Singapura. Pequim e Washington viram-se envolvidos, em 2025, numa guerra comercial, na qual as tarifas americanas sobre muitos produtos chineses chegaram a exorbitantes 145%. A escalada de represálias esfriou depois de Trump e Xi terem concordado, em Outubro, com uma trégua de um ano, e os especialistas acreditam que o objectivo básico de Pequim para a próxima reunião será prorrogar esse acordo. “O que a China precisa é que Trump cumpra a promessa de se comprometer com pelo menos alguns resultados concretos discutidos no mais alto nível”, considerou Yue Su, da Economist Intelligence Unit (EIU). A China ficará satisfeita com resultados “específicos”, como reduções tarifárias limitadas que justifiquem uma retirada moderada das suas próprias tarifas ou restrições à exportação, observou. O tema do Irão será “difícil de evitar” na reunião, segundo os especialistas, mas “esta não é uma área na qual a China esteja ansiosa para se envolver profundamente”. “Os EUA já estão a aumentar a pressão sobre a China antes da cimeira ao mirar os seus laços económicos com Teerão”, explicou Lizzi Lee, do Asia Society Policy Institute. Trump advertiu no mês passado que imporia uma tarifa de 50% sobre produtos chineses caso o país fornecesse assistência militar a Teerão. Pequim é um parceiro próximo da república islâmica e classificou como ilegais os bombardeamentos dos EUA e de Israel que desencadearam a guerra, mas também criticou os ataques iranianos contra os países do Golfo e pediu a reabertura do Estreito de Ormuz. Porém, a China não aceitará a pressão dos EUA para que tome medidas contra o Irão ou a Rússia, sobre os quais “pode ter alguma influência, mas não um controlo decisivo”, apontou Su, da EIU. A guerra com o Irão acrescentaria “outra camada de pressão mútua”, sustentou Lee, embora o verdadeiro terreno de negociação continue a ser o comércio e investimento. Uma das principais cartas de negociação da China são as terras raras, metais cruciais em todas as indústrias, de smartphones a carros eléctricos. O domínio da China nesse sector, desde as reservas naturais e a mineração até ao processamento e a inovação, resulta de um esforço de décadas. Continua a ser a ferramenta mais poderosa da China caso sejam necessárias concessões significativas por parte dos EUA, disse Su. Trump mostrou que “se importa muito” com as terras raras, acrescentou Joe Mazur, analista da consultora Trivium China, sediada em Pequim. “Isso é algo para o qual os EUA realmente não têm resposta”, disse. Mazur acredita que a China “vai preparar (…) vitórias rápidas” antes da visita, o que poderia incluir a compra de mais produtos agrícolas americanos ou aviões da Boeing. A China, disse ele, poderia esperar “que isso coloque Trump e sua equipa num estado de espírito positivo quando depois discutirem temas mais complexos e espinhosos”. A China protegeu-se contra a instabilidade gerada por Trump através da diversificação do comércio em direcção ao sudeste asiático e ao Sul Global, além do fortalecimento dos laços regionais, afirmou Lee. Pequim também aperfeiçoou as ferramentas legais e regulatórias, e “tem um manual de estratégias potencialmente mais amplo”, como se viu no recente bloqueio da aquisição pela gigante de tecnologia Meta da empresa de IA Manus, apontou. No entanto, muitas dessas medidas, incluindo a diversificação das importações de energia, o impulso da electrificação e auto-suficiência tecnológica, são anteriores ao segundo mandato de Trump, observou Mazur. Segundo a analista, Pequim irá às conversas com “confiança cautelosa”, pois sente-se mais confortável jogando “no longo prazo” do que Trump, que enfrenta a pressão das eleições legislativas de meio de mandato. Também está prevista uma viagem a Pequim do Presidente russo, Vladimir Putin. O seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, disse que a visita ocorrerá no primeiro semestre. Uma visita consecutiva enviaria a mensagem de que “só porque ele (Xi) teve uma boa reunião com Trump, não significa que o apoio chinês à Rússia vá desaparecer”, disse Mazur à AFP. “Essa relação é sólida como uma rocha”, considerou.
JTM com agências ocidentais



