A China paralisou as exportações de vários minerais críticos com destino ao Japão, incluindo terras raras e metais raros, relacionados sobretudo com a indústria de defesa, segundo dados oficiais citados pela agência nipónica Kyodo, acentuando a pressão económica no meio de uma disputa diplomática com Tóquio. Nos últimos anos, a China reforçou os controlos de exportação de pelo menos 16 tipos de minerais – incluindo sete categorias de terras raras utilizadas no fabrico de produtos de alta tecnologia, veículos eléctricos e armas – no quadro do seu conflito comercial com Washington. Em Janeiro deste ano, reforçou as restrições ao envio de produtos de dupla utilização para o Japão, após os comentários da Primeira-Ministra japonesa, Sanae Takaichi, em Novembro passado, sobre uma eventual intervenção militar em Taiwan. Os artigos de dupla utilização são bens, software ou tecnologias que têm aplicações civis e militares. Desde Janeiro, a China deixou de exportar para o Japão disprósio ou térbio, elementos para ímanes permanentes de alto desempenho. Também cessou as remessas de ítrio e escândio utilizados na indústria aeroespacial que “não são misturados ou ligados”, mostram os dados. O impacto das restrições às exportações nos outros três artigos de terras raras não é claro, uma vez que o seu volume de vendas ao Japão é geralmente pequeno ou não havia dados disponíveis. As exportações chinesas de ímanes de terras raras para o Japão baixaram significativamente desde a imposição de controlos mais rigorosos, com uma queda de 35% no volume entre Abril e Maio. Dos outros nove minerais, incluindo metais raros, Pequim interrompeu as exportações de pó de molibdénio para o Japão, utilizado para produzir componentes de mísseis. Além disso, desde Fevereiro, suspendeu o envio de alguns artigos de tungsténio para o Japão, e não exportou alguns produtos de gálio entre Janeiro e Abril. Exceptuando Fevereiro, a China não enviou para o Japão qualquer chumbo antimonial utilizado no fabrico de balas e peças automóveis. Já as exportações de germânio e grafite não sofreram alterações significativas. Enquanto as empresas nipónicas lutam para diversificar as cadeias de abastecimento, as autoridades chinesas detiveram dois funcionários japoneses da Fuji Electric em Maio devido a uma alegada tentativa de levar produtos relacionados com terras raras para o estrangeiro. No final de Junho, a China acrescentou 20 entidades japonesas, incluindo o Instituto Nacional de Estudos de Defesa e as subsidiárias da Mitsubishi Electric Corp., à sua lista de empresas e instituições proibidas de receber produtos de dupla utilização, elevando o número total para 40. Os laços sino-japoneses atingiram o ponto mais baixo em anos desde que Takaichi sugeriu que um ataque da China a Taiwan, uma ilha democrática autónoma que Pequim afirma, poderia provocar uma resposta das Forças de Autodefesa do Japão em apoio aos EUA.

 

JTM com agências internacionais