O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, instou os EUA a tratarem a questão de Taiwan “com máxima prudência”, durante uma conversa telefónica com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. “Um pequeno movimento na questão de Taiwan pode afectar toda a situação”, afirmou Wang, num contexto de crescente tensão entre Pequim e Taipé. A conversa teve lugar a 30 de Junho e o respectivo conteúdo foi divulgado ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Wang defendeu que a construção de uma “relação de estabilidade estratégica construtiva” entre a China e os EUA “é o que desejam os povos dos dois países e o que espera a comunidade internacional”. “Ambas as partes devem eliminar as interferências, ultrapassar os obstáculos e avançar firmemente nesta direcção correcta”, afirmou, acrescentando que os dois países “devem manter sempre o espírito de igualdade, respeito e benefício mútuo” e transformar os consensos alcançados pelos respectivos presidentes em “políticas concretas e medidas eficazes”. “Construir uma relação de estabilidade estratégica construtiva não pode ficar pelas palavras. Exige acção, caminhar na mesma direcção e perseverança. Para isso, ambas as partes devem alargar a lista de áreas de cooperação, desenvolver mais temas positivos na agenda, reduzir a lista de problemas e gerir todos os riscos latentes”, acrescentou. O comunicado chinês não reproduz as declarações de Marco Rubio, limitando-se a descrever a conversa como “positiva e construtiva” e a indicar que ambos concordaram em “aplicar conjuntamente os importantes consensos alcançados pelos chefes de Estado” e em “manter uma comunicação flexível”. A chamada ocorreu cerca de um mês e meio após a cimeira realizada em Pequim entre os Presidentes da China e dos EUA, durante a qual abordaram, entre outros temas, a questão de Taiwan. Há mais de sete décadas que Washington ocupa uma posição central nas disputas entre Pequim e Taipé, sendo o principal fornecedor de armamento a Taiwan. Embora não mantenha relações diplomáticas formais com a ilha, os EUA poderão defendê-la em caso de conflito com a China. Esta posição tem sido uma fonte permanente de fricção entre as duas maiores potências mundiais, com Pequim a considerar a questão de Taiwan como a principal “linha vermelha” nas relações sino-americanas. Por outro lado, o Governo chinês reiterou ontem que as suas recentes patrulhas marítimas em águas a leste de Taiwan são “razoáveis, legais, legítimas e necessárias”, ao mesmo tempo que acusou o Japão e as Filipinas de violarem o direito internacional e de “minarem” os direitos marítimos de Pequim na região. Numa conferência de imprensa de rotina, Zhu Fenglian, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, afirmou que a China “possui uma zona económica exclusiva e uma plataforma continental nas águas a leste de Taiwan”, posição que Taipé rejeita. “As patrulhas realizadas pela Guarda Costeira da China continental nas águas relevantes constituem um exercício legítimo de jurisdição e um acto justo para salvaguardar a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos do país”, afirmou. Zhu acentuou que esta operação constituiu uma “acção justa” face ao Japão e às Filipinas, que anunciaram a intenção de iniciar negociações para delimitar as suas respectivas zonas económicas exclusivas e plataformas continentais nessa mesma área.

 

JTM com Lusa e agências internacionais